O estudo “O caminho da descarbonização do setor automotivo no Brasil”, apresentado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), afirma que os carros elétricos poderão representar até 62% da frota de automóveis do País em 2035. Para isso ocorrer, no entanto, serão necessárias mudanças que implicam em várias adaptações na indústria – como, por exemplo, investimentos na casa dos R$ 14 bilhões somente na instalação de pontos de recarga.

Conforme análises do Boston Consulting Group (BCG), empresa autora da pesquisa, isso significa uma rede que seja capaz de atender aproximadamente 2,5 milhões de automóveis, o equivalente a 62% da frota total em 2035. Atualmente, a proporção é de apenas 1%, enquanto os veículos flex representam 91% e, aqueles movidos à gasolina e a diesel, 4% cada.

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“Temos que fazer uma adaptação nas fábricas, desenvolver fornecedores, preparar treinamento da mão de obra e a rede de concessionários”, explicou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, ao canal CNN. “Mais do que isso, tem que ter também investimento em infraestrutura”, afirma. Em relação aos aportes, ele acredita que o montante deve ser bancado pela própria iniciativa privada, por projetos firmados por meio de Parcerias Público-Privadas (PPP) ou, ainda, incluído no escopo das concessões, que abrangeria um programa de recarga.

Brasil precisa desembolsar cerca de R$ 14 bilhões em infraestrutura, como por exemplo em estações de recarga de carros elétricos. Imagem: Kain Kaushik/Shutterstock

A verdade é que a venda de modelos híbridos ou 100% elétricos está crescendo no Brasil e bateu recorde no primeiro semestre deste ano, segundo a entidade. Foram quase 14 mil veículos emplacados de janeiro a junho, uma alta de 80% na comparação com o mesmo período de 2020. Contudo, o volume de vendas ainda é considerado tímido, sendo o alto custo um dos entraves para a popularização do modelo.

No caso dos veículos elétricos, um grande dificultador para a disseminação no País ainda é o custo da bateria – que representa, em média, 35% a 45% do valor final do automóvel. O estudo aponta que a tendência é que os preços caiam consideravelmente nos próximos anos, e que o Brasil, inclusive, possui uma vantagem competitiva que pode ajudar na redução desse custo: reservas fortes dos principais materiais utilizados na produção das fontes de energia, como lítio, níquel, grafite e manganês.

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A abundância desses materiais, todavia, não elimina o obstáculo seguinte na cadeia de formação de uma indústria nacional de baterias: o alto custo da implantação. A Anfavea exemplifica com anúncios feitos neste ano, como o investimento de mais de R$ 9 bilhões da Nissan em novas fábricas no Japão e no Reino Unido, e de quase R$ 12 bilhões da GM e da LG em fábricas de células de baterias de íon-lítio nos Estados Unidos.

A entidade, por fim, destaca que cabe ao governo “o planejamento e a execução de incentivos que também abram caminho para a descarbonização da indústria automobilística”, visto que os consumidores têm cada vez mais valorizado a aquisição de produtos mais sustentáveis.

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