Cuidado, Motorola: a Redmi quer, como diz a expressão, “enfiar o garfo na sua marmita” e tomar a coroa dos intermediários. O Redmi Note 10 5G, smartphone lançado já há algum tempo pela subsidiária da Xiaomi, vem sendo ostensivamente testado pela equipe do Olhar Digital e — spoiler — somos obrigados a admitir que ele teve um desempenho exatamente dentro do que esperávamos — apesar das inúmeras ressalvas.

No intuito de se firmar no Brasil como uma sólida empresa de smartphones intermediários, a Redmi não poupou esforços em promover o Redmi Note 10 5G como um de seus principais modelos para 2021. A seguir, você confere todos os detalhes de nossa análise.

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O Redmi Note 10 5G exibe entradas bem simplistas - um conector USB-C, uma saída de fone de 3,5 milímetros (algo cada vez mais raro hoje em dia), além da câmera traseira com três lentes
Na base, o Redmi Note 10 5G tem um conector USB-C e conector de 3,5 milímetros para fones de ouvido (algo cada vez mais raro hoje em dia). Na traseira, as três lentes do conjunto de câmeras. Imagem: Rafael Arbulu/Olhar Digital

Começando pelo design, a traseira do smartphone tem algo que agrada muito a maioria dos usuários de celular: uma carcaça plástica com pintura fosca, que é praticamente livre de marcas de dedos e digitais. Vai sujar? Sim, mas nada que uma esfregadinha na camiseta não limpe, deixando o aparelho com cara de novo por mais tempo.

Infelizmente, o mesmo não pode ser dito sobre a resistência à poeira: protegida por Gorilla Glass 3, a tela do aparelho é bem resistente, e sua carcaça robusta o protege de algumas quedas, mas dá para notar que partículas menores conseguem entrar pelas suas arestas. Nessas horas, o “display infinito” da Samsung, por exemplo, faz falta.

No mais, o aparelho tem uma pegada bastante confortável considerando seu tamanho avantajado: com um display de 6,7 polegadas e corpo de 161,8 x 75,3 x 8,9 milímetros (mm), mais 190 gramas de peso, não é qualquer bolso que vai escondê-lo por completo, mas a sensação de puxá-lo para mexer na tela é bem satisfatória. Isso, aliado ao posicionamento dos botões físicos (controles de volume e um botão híbrido que liga/desliga e também lê impressões digitais, todos no lado direito) fazem deste um aparelho que nos agradou bastante.

No que tange ao sistema, o Redmi Note 10 5G vem com a MIUI 12 instalada de fábrica, conferindo a versão (quase) mais atualizada do sistema operacional baseado em Android (11) da Xiaomi. Aqui, porém, cabe a ressalva que se repete em quase todo smartphone da Redmi/Xiaomi: por que tanto bloatware, gente? Logo depois da configuração do aparelho, demos de cara com jogos como Candy Crush, Puzzle Bobble e uns outros seis ou sete títulos que você terá que perder um bom tempo apagando — fora as outras categorias, com apps que só farão sentido a usuários muito específicos.

Vale um aviso amigável: saímos de um teste de smartphone ocidental para um oriental e, bom, algumas coisas mudam um pouco de um para outro no que tange a navegação. Fechar janelas, aqui, é algo feito ao arrastar o dedo da esquerda para a direita, enquanto os botões virtuais de “Voltar” ou “Mostrar janelas abertas” trocam de lado. Felizmente, esse detalhe comumente esquecido acabou sendo melhor para nós, já que não precisamos esticar os dedos ou pegar o aparelho com duas mãos para realizarmos tarefas tão simples. É muito mais uma questão de estilo de uso do que algo positivo ou negativo do produto – para nós, funcionou, então valeu a menção.

Além disso, a MIUI vem se tornando menos divisiva para fãs de Android a cada atualização – e a MIUI 12 segue essa tendência: a gaveta de aplicativos está mais dinâmica, ordenando os programas de forma inteligente e em página única, mas também separando-os por categorias, além de inaugurar novos formatos de notificação e seleção de funções do sistema. Se você está habituado ao seletor de wi-fi do Android em ícones pequenos, prepare-se para uma surpresa no mínimo interessante.

Foto da console de notificação do Redmi Note 10 5G
O painel de ajustes rápidos do smartphone teve uma reformulada, com ícones principais ajustáveis em tamanho maior, o que torna mais fácil para o usuário encontrar o que deseja de forma rápida. Imagem: Rafael Arbulu/Olhar Digital

Há também um modo dedicado para jogos, onde o aparelho direciona o processamento para a execução do jogo e esconde as notificações para não atrapalhar a sua imersão. E, como os gamers da redação apontaram, ele vai bem mesmo em jogos mais pesados: sessões longas de Honkai Impact 3rd, Genshin Impact e Witcher: Monster Slayer foram jogadas sem quebras ou gargalos, rodando a 30 quadros por segundo (fps). Nada muito especial, mas esse é um aparelho intermediário, então isso já era esperado.

Mas nem tudo é felicidade: ao contrário de aparelhos que já adotaram a telas AMOLED, aqui, a Redmi preferiu se manter no IPS LCD. Isso acaba comprometendo algumas coisas. O brilho e contraste, por exemplo, são inferiores a outros smartphones — e não é nem uma competição muito próxima. Aparelhos lançados antes dele, por exemplo, fazem uma reprodução de mídia melhor. Na hora de jogar, assistir a vídeos no TikTok/YouTube ou maratonar séries no Netflix, a experiência não foi das melhores.

No que tange à bateria, não encontramos nada muito especial em nosso teste do Redmi Note 10 5G. A Redmi implementou tecnologia de recarga rápida, mas bem inferior se comparada a outros modelos da empresa, já que o carregador tem 18 Watts de potência. A grosso modo, levou em torno de 40 minutos de recarga para ele ir do 0% a 30%.

Isso se traduz na duração: você dificilmente conseguirá passar muitas horas ininterruptas jogando, e executar aplicativos mais pesados — como os de streaming de mídia — vai consumir energia com relativa velocidade. Nada muito ofensivo para um usuário mais casual, mas se você for do tipo que maratona séries pelo celular dentro do ônibus, com o brilho da tela no máximo, você pode precisar de uma tomada assim que chegar ao seu destino.

Na câmera principal, o Redmi Note 10 5G tem sensor de 48 megapixels que trabalha bem os detalhes do objeto registrado, adicionando qualidade nas fotos por meio de um filtro de IA que (nem sempre) melhora a apresentação. Imagem: Rafael Arbulu/Olhar Digital

Nas câmeras é que a coisa aperta um pouco: o Redmi Note 10 5G faz fotos “apenas ok”. Há uma boa definição — cortesia do sensor traseiro primário de 48 megapixels (MP), mas nada que se sobressaia demais. Além dele, outros dois sensores — um macro e um teleobjetivo, os dois com 2 MP — complementam o pacote. Na câmera frontal, o sensor de 8 MP garante selfies, novamente, “apenas ok”.

Os vídeos gravados com o aparelho tem qualidade… média, vamos dizer. Em todas as câmeras, a resolução máxima é de no máximo 1080p, algo consideravelmente abaixo da resolução 4K que já se tornou um padrão em outros smartphones do tipo.

É na inteligência artificial da câmera que vimos problemas: por alguma razão, ela era tudo, menos inteligente. A função aplica um filtro ajustado automaticamente com base naquilo que você quer registrar: se for um prato de comida, um filtro que valorize as cores dos ingredientes. Se for uma paisagem, um filtro que destaque os verdes e azuis e assim por diante.

Só que a IA falha em reconhecer corretamente algumas cores: isso ficou especialmente evidente em fotos de comida, onde o branco de alguns ingredientes fez com que eles “sumissem” com o filtro, mas também vimos esse problema em outros tons claros em paisagens — como esconder chanfros de uma parede trabalhada em relevo. Qual o sentido disso?

Imagem tirada pelo Redmi Note 10 5G mostra problema do filtro de IA, que deixa as fotos de tons mais brancos excessivamente claras
À esquerda, a imagem sem filtro de inteligência artificial, comparado ao filtro aplicado na imagem à direita: embora funcional, esse filtro “estoura” tons de branco, tirando detalhes importantes da composição. Imagem: Rafael Arbulu/Olhar Digital
Imagem mostra uma foto tirada pela câmera frontal do Redmi Note 10 5G
A câmera frontal do Redmi Note 10 5G faz fotos satisfatórias em ambientes com boa iluminação natural, e nos lugares mais escuros, ele consegue destacar o objeto principal. Mas nada que vá impressionar demais o usuário frente a outras opções da concorrência. Imagem: Rafael Arbulu/Olhar Digital

Ao menos, o processamento é bem firme: o Redmi Note 10 5G conta com um chipset Dimensity 700 (MediaTek MT6833) de oito núcleos, que dá e sobra nas tarefas mais essenciais do aparelho. Isso, e o tempo para ligar e desligar o aparelho são consideravelmente mais rápidos que outros modelos da categoria. Contamos em média cinco segundos até que o teclado de inserção de senha aparecesse na tela.

O Redmi Note 10 5G vem com uma configuração razoável, com 4 GB de memória RAM e 128 GB de espaço de armazenamento (expansível até 1 TB via cartão de memória). A baixa RAM faz jus à percepção intermediária do aparelho, ainda que outras opções do setor já ofereçam quantidade maior. Por ora, ele dá conta do recado, mas à medida que apps receberem atualizações e novos softwares aparecerem, assim como acontece no PC, você vai precisar de mais potência.

De uma forma geral, o Redmi Note 5G é um smartphone excelente para conduzir o básico com maestria, Boa parte dos problemas apontados aqui pode ser resolvida com uma atualização de software, mas outros, infelizmente, são mais intrínsecos ao hardware. Só nos cabe aguardar a próxima geração do aparelho para — com sorte — a fabricante consertá-los.

O Redmi Note 10 5G está à venda na loja oficial da Xiaomi por R$ 2.699,99.

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