O Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU, está trabalhando na preparação de um novo documento, em que deve alertar que o desmatamento e seu consequente impacto nas mudanças climáticas pode abrir uma nova era de surtos de doenças, epidemias e pandemias, que podem levar a uma grande ruptura social.

No início desta semana, a ONU divulgou um relatório alertando que o aquecimento global está perto do limite e que a humanidade já estaria em “código vermelho” por conta das mudanças climáticas. Porém, em um informe que ainda será divulgado, que foi obtido em primeira mão pelo portal UOL, os cientistas do IPCC dizem que a crise climática terá consequências para a saúde da humanidade.

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Segundo os pesquisadores, há uma relação direta entre o impacto causado pelas mudanças climáticas em aspectos naturais, culturais e estruturais das sociedades humanas. Uma possível consequência disso são extinções em massa de animais e plantas, e o aparecimento de novas doenças ou de cepas mais perigosas de infecções já existentes.

De animais para humanos

Cidade de Wuhan
Mercado de animais de Wuhan, na China, onde acredita-se que surgiu o vírus da Covid-19. Sleepingpanda/Shutterstock

Os cientistas defendem que conforme o desmatamento avança, muitos animais perdem espaço para as cidades. Isso facilita que vírus e outros parasitas saltem de animais selvagens para humanos, como já aconteceu com o Sars-Cov-2, o vírus responsável pela Covid-19. Segundo os pesquisadores, esse movimento tende a se intensificar já nos próximos anos.

Entre as doenças que podem se espalhar, está uma velha conhecida dos brasileiros: a dengue. O Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença, gosta de climas mais quentes, por isso, as doenças causadas por eles, como a chikungunya e a malária, são comuns em países tropicais. Porém, com o aumento da temperatura global, outras regiões também podem começar a sofrer com elas.

Segundo os pesquisadores, o risco de se contrair dengue deixará de ser algo restrito aos trópicos e o número de casos da doença deve crescer em regiões onde hoje são incomuns, como a América do Norte, a Ásia Oriental e a Europa. Esse avanço do Aedes aegypti pode colocar um número assustador de 2,25 bilhões de pessoas em risco.

Piora onde já existe

Mosquito Aedes aegypti
Regiões onde o Aedes aegypti já é comum tendem a enfrentar doenças piores do que aquelas que já existem. Crédito: Prof. Frank Hadley Collins/Flickr

Em locais onde essas doenças já são comuns, como a África Oriental, algumas partes da Ásia e a América do Sul, doenças como dengue, malária, zika e chikungunya, que são bastante ligadas à falta de saneamento básico, devem se tornar mais severas e se espalhar para mais áreas dentro dos países, assim como febres hemorrágicas, como é o caso do vírus ebola.

Doenças ocasionadas por origem alimentar, como infecções bacterianas, também podem aumentar, já que as mudanças climáticas devem causar um aumento de áreas com má estrutura de saneamento, o que impede a higienização correta dos alimentos. Com isso, bactérias como a Salmonella, que causa severas intoxicações alimentares, devem se tornar mais presentes e resistentes.

Alimentação pior

As mudanças climáticas também devem causar um aumento no número de desalojados e pessoas vivendo em situação de extrema pobreza. Isso porque o aumento do desmatamento também deve causar mais desastres naturais, como tempestades e enchentes, que devem fazer com que um grande número de pessoas percam todo o seu patrimônio e sejam obrigadas a migrar para outros locais.

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Isso também pode causar um grande aumento de casos de doenças como diabetes, já que os desastres naturais devem inviabilizar a produção agrícola de muitos alimentos. Por isso, deve ocorrer uma mudança severa na dieta da população do mundo todo, que deve ficar mais deficiente em nutrientes, principalmente para as crianças e populações mais pobres.

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