Com a baixa oferta de novas doses da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19, o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, autorizou os municípios a aplicarem a segunda dose de um imunizante diferente, no caso, o da Pfizer, como um substituto para a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica britânica.

A mudança de procedimento foi anunciada por meio de uma nota técnica do Ministério da Saúde, que diz que a troca dos imunizantes não deve ser uma regra. A recomendação é somente para casos em que não for possível administrar uma segunda dose usando a mesma vacina que foi aplicada na primeira, seja por contraindicações, como no caso das gestantes, seja pela falta do imunizante.

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Queda nas entregas

AstraZeneca diminuiu o número de doses enviadas ao Brasil desde o mês de julho. Crédito: Shutterstock

O número de doses da AstraZeneca tem caído bastante desde o mês de julho, quando foram entregues apenas 14,5 milhões de doses ao Brasil. Em agosto, o número deve ser ainda menor, com a previsão da chegada de apenas 11,6 milhões de doses até o final do mês. Para efeito de comparação, entre abril e junho, foram entregues mais de 60 milhões de doses da AstraZeneca no Brasil.

Ouvida pelo portal UOL, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que é a parceira da AstraZeneca no Brasil, disse que apenas cerca de 3 milhões de doses da AstraZeneca foram distribuídas na última sexta-feira (13). Na nota técnica, o Ministério da Saúde diz que a possibilidade de usar doses de diferentes fabricantes tem embasamento científico.

Embasamento técnico

No documento, que foi publicado no final do mês passado, a pasta referencia dois estudos para embasar a técnica, que é chamada de intercambialidade. Um deles dizia que misturar vacinas gerou uma resposta imune robusta e apresentou um bom perfil de segurança. O segundo concluiu que misturar as vacinas da AstraZeneca e da Pfizer gerou uma “resposta imune superior”.

No segundo estudo, que foi realizado no Reino Unido, foi recomendado um intervalo de quatro semanas entre as doses. Com a decisão do Ministério da Saúde, o município de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, já anunciou que vai usar a vacina da Pfizer para aplicar a segunda dose em quem recebeu a primeira da AstraZeneca.

Niterói vai além

segunda dose da vacina em São Paulo
São Paulo também tem sofrido com a falta de vacinas da AstraZeneca para aplicação de segunda dose. Crédito: Prefeitura de São Paulo

O município também abriu essa possibilidade para quem teve algum tipo de reação adversa à vacina de Oxford, sem exigir nenhum tipo de comprovação para isso. O cidadão que alegar que teve algum tipo de reação adversa terá apenas que assinar um termo afirmando que concorda em tomar a segunda dose de uma vacina diferente e informando quais sintomas apresentou após tomar a primeira dose.

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Niterói precisou interromper algumas vezes a aplicação da segunda dose da AstraZeneca por falta de imunizantes. Além do município fluminense, outras cidades, como São Paulo e Juiz de Fora, em Minas Gerais, têm sofrido com a falta dos imunizantes. A capital paulista, por exemplo, só tem AstraZeneca em 27% dos postos, enquanto a cidade mineira suspendeu a aplicação da segunda dose.

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