Nesta segunda-feira (16), o governo dos EUA declarou uma grave escassez hídrica no Lago Mead, o maior reservatório do país, que alimenta a icônica represa Hoover. Segundo órgãos federais, a represa vai operar em 2022 em condições sem precedentes.

Essas projeções são fruto de um estudo bianual que analisa as condições da bacia do rio Colorado, que alimenta o Lago Mead. “O sistema do rio Colorado está atualmente em 40% de sua capacidade, uma redução comparável aos 49% registrados nesta época no ano passado”, anunciou a agência encarregada dos recursos hídricos, subordinada ao Ministério do Interior.

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Marina danificada pela seca na Área de Recreação nacional do Lago Mead. Imagem: trekandshoot – Shutterstock

De acordo com o Escritório de Reclamação dos EUA, trata-se da primeira escassez de “nível 1” na bacia baixa do rio Colorado. Isso vai provocar uma redução obrigatória no fornecimento de água no próximo ano, para garantir que o reservatório, formado em 1937, recupere seu nível para seguir gerando energia elétrica.

Lago Mead abastece os EUA e o México

A represa abastece dezenas de milhões de moradores de vários estados norte-americanos, como Arizona, Nevada e Califórnia, além do norte do México. Todos, exceto a Califórnia, verão seu abastecimento cair devido a acordos negociados entre esses e quatro outros estados que extraem água do rio Colorado. 

Nevada já reduziu seu uso por meio da conservação, então o estado não espera ser afetado, mas o México prevê uma redução de 5%, e o Arizona terá sua alocação reduzida em 18%. 

“A recuperação não realiza essas ações levianamente ou facilmente. Fazemos isso porque é necessário, protegendo o sistema e implementando os acordos que temos em vigor”, disse a vice-presidente do Escritório de Reclamação, Camille Touton, em entrevista coletiva.

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“O Escritório de Reclamação não pode controlar a hidrologia. E também reconhecemos a possibilidade muito real de que a hidrologia que foi planejada há anos não seja a pior que a bacia pode ver no futuro”, afirma Touton. “Isso também pode significar que ações adicionais provavelmente serão necessárias em um futuro muito próximo.”

Primeiros a sentir os efeitos da crise serão os agricultores

Segundo o site Ars Technica, os agricultores do Arizona serão os primeiros a sentir a dor dos cortes. Em uma região do estado, os agricultores receberão 65% menos água no próximo ano. 

O estado desértico continua a cultivar plantações de uso intensivo de água, como algodão e alfafa, em parte por causa do Projeto Arizona Central, que agrupa uma série de canais, estações de bombeamento e reservatórios de 540 km, e que foi concluída em 1993, sendo extraída do Rio Colorado. 

Muitos agricultores que foram encorajados pelo aqueduto a pararem de bombear água subterrânea, sem dúvida, devem reiniciar a prática insustentável quando seus campos começarem a secar. Outros terão que mudar para culturas de água mais baixa ou deixar seus campos em descanso (pousio). O problema é que campos secos e em pousio contribuem para as tempestades de poeira que envolvem a região.

Mudanças climáticas causam estragos em diversos países, inclusive superpotências

Se os níveis de água no Lago Mead continuarem diminuindo, o problema passará a atingir os usuários municipais e industriais. Phoenix, que no censo mais recente se tornou a quinta maior cidade dos EUA, provavelmente será poupada de cortes até 2025, graças aos esforços contínuos de conservação e maior dependência do Projeto Salt River, uma concessionária de água e energia que extrai dos reservatórios que se encontram inteiramente dentro do estado.

O oeste dos Estados Unidos vem sofrendo os efeitos da seca crônica agravada pelas mudanças climáticas. Além dos lagos em níveis historicamente baixos, levando a restrições no uso da água, os incêndios florestais incomumente precoces (de proporções tão gigantescas a ponto de serem vistas do espaço) e uma onda de calor recorde são reflexos do problema.

“Em nível mundial, 800 milhões de pessoas estão em risco de viver uma escassez crônica de água devido à seca provocada pelo aumento de 2ºC na temperatura”, diz um informe de especialistas do clima das Nações Unidas.

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