Três animais pré-históricos recentemente descobertos indicam uma evolução mais rápida do que se pensava dos mamíferos após a extinção dos dinossauros. Completamente inéditos para a paleontologia, o Miniconus jeanninae, o Conacodon hettingeri e o Beornus honeyi trazem variações físicas consideráveis, o que sugere adaptações bem mais evidentes.

As descobertas foram publicadas no Journal of Systematic Palaeontology e sugerem que os três animais viviam no que hoje corresponde à América do Norte durante o período Paleoceno — especificamente, poucas centenas de milhares de anos após o Cretáceo-Paleogeno, período que marca a extinção dos dinossauros e serve como uma “fronteira temporal” ao fim dos répteis e o início dos mamíferos.

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Ilustração mostra três descobertas recentes de mamíferos que sugerem uma evolução mais rápida do que se pensava anteriormente
Três novos mamíferos descobertos estão mais próximos do evento de extinção dos dinossauros, o que indica que a distribuição de animais do tipo foi maior do que se pensavam anteriormente. Imagem: Banana Art Studio/Boulder University/Divulgação

Os três animais pertencem a uma ordem conhecida como “condilartros” (ungulados arcaicos), mas são tão únicos dentro desse meio que seus dentes trazem detalhes muito específicos: o Beornus honeyi (assim nomeado em homenagem a Beorn, personagem de O Hobbit, de J.R.R. Tolkien) trazia molares mais avantajados. Na imagem acima, ele é o mais “bochechudo”.

Os condilartros são antepassados aos animais com cascos de hoje, como cavalos, elefantes etc. Os paleontólogos da Universidade de Boulder, no Colorado, é quem os descobriram ao encontrar partes inferiores de suas mandíbulas com dentes relativamente intactos — isso nos permite conhecer detalhes bem consistentes de seres pré-históricos, como tamanho estimado do corpo, possíveis hábitos alimentares e sua identidade.

Por causa de seus dentes molares mais avantajados, os cientistas estimam que os três se tratavam de animais onívoros — cuja dieta consiste de matéria vegetal e também animal, assim como os seres humanos.

“Quando os dinossauros morreram, o acesso a diferentes comidas e ambientes permitiram aos mamíferos crescer e se diversificar nas suas anatomias bucais e evoluírem para corpos maiores”, disse Madelaine Atteberry, do Departamento de Ciências Geológicas da instituição. “Eles claramente tiraram vantagem dessa oportunidade, como podemos ver na proliferação de novas espécies mamíferas que veio após o evento de extinção em massa”.

Ao todo, Atteberry, junto de Jaelyn Eberle, do Museu de História Natural, estudou 29 fósseis de condilartros para determinar as diferenças físicas de cada um, além de empregar técnicas filogênicas para determinar as relações entre as espécies avaliadas, descobrindo o seguinte:

  • Miniconus jeanninae era o que trazia uma variação específica no “parastilídeo” (a “curva” embaixo dos seus dentes molares, usada para prender e triturar vegetais)
  • Conacodon hettingeri era similar a outros animais pré-históricos do tipo, mas seu último dente molar era exclusivamente maior
  • Beornus honeyi era o maior de todos, tendo o tamanho médio de um gato ou uma marmota

Segundo Atteberry, as três descobertas atualizam percepções trazidas por estudos anteriores, que sugeriam que a proliferação de mamíferos após o fim dos dinossauros foi menos intensa. “Esses novos condilartros correspondem a uma pequena porcentagem dos mais de 420 fósseis de mamíferos descobertos na região. Nós ainda não conseguimos capturar toda a extensão de mamíferos do início do período paleoceno, então é provável que várias novas espécies ainda sejam descritas”.

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