Nossa companheira no céu há mais de 4,5 bilhões de anos, praticamente desde o “berço” de nosso planeta, a Lua sempre intrigou a humanidade. As mudanças regulares em seu formato, as fases, ajudaram e ainda ajudam muitos povos a marcar a passagem do tempo. E mudanças mais súbitas em sua aparência, como os eclipses, eram vistas como atos dos deuses ou presságio de guerras e pragas. 

Mas além do formato, a Lua também pode mudar de cor. Algumas cores são óbvias, como o tom avermelhado da “lua de sangue”, outras são metafóricas, como a “lua rosa” dos nativos norte-americanos. Continue lendo e sabia mais sobre o que é real e o que é pura “licença poética”. 

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Lua de Sangue

Uma Lua de Sangue é o resultado de um eclipse lunar total — quando a Terra está entre o Sol e a Lua, impedindo a luz solar de iluminar a superfície lunar. A cor avermelhada vem do pouco de luz que atravessa a atmosfera da Terra e chega à superfície do satélite.

As moléculas de ar espalham a luz azul, a cor do nosso céu, restando apenas os tons avermelhados que são refletidos na Lua. O mesmo fenômeno explica o tom dourado da Lua quando ela está cheia e próxima ao horizonte. 

"Lua de Sangue" fotografada durante eclipse em 2014
Luas vermelhas ou “de sangue” aparecem junto com eclipses lunares totais. Imagem: AZSTARMAN / Shuterstock

A última Lua de Sangue ocorreu em 26 de maio deste ano (junto com uma Super Lua), mas só pôde ser vista em pequena parte do sul do Brasil. O próximo eclipse lunar acontecerá em 11 de novembro deste ano, e aqui do Brasil também será visível parcialmente. Novamente, quanto mais ao sul do país, maior será a parte da Lua encoberta pela sombra da Terra.

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Lua Azul

Aqui já entramos nos domínios do folclore — e não nosso, mas do Hemisfério Norte. A Lua Azul (ou Blue Moon) não é azul de verdade — diferente da Lua de Sangue, que é mesmo vermelha. É somente uma segunda lua cheia em um mês, um evento que se repete com certa regularidade.

Como o ciclo lunar tem aproximadamente 29 dias, a cada dois anos e meio um mês tem duas luas cheias. Outra definição mais antiga de Lua Azul é a terceira de quatro luas cheias em uma única estação. É o que acontecerá neste domingo.

Uma “Lua Azul” não passa de uma figura de linguagem. Mas seria linda, não?. Imagem: FtLaud / Shutterstock

O nome é uma referência a um fenômeno real, que aconteceu após a erupção de 1883 do vulcão Kratatoa, na Indonésia. Ele jogou na atmosfera partículas de cinzas com cerca de 1 micrômetro (1 μm) de diâmetro, o tamanho exato para espalhar a luz vermelha, deixando outras cores passarem.

Foi o inverso do que acontece numa lua vermelha. Por isso, durante vários anos após a erupção pessoas reportaram ver uma lua azul, e às vezes até mesmo verde, ou um pôr do sol com cor de lavanda. 

Nos EUA, a frase “once in a Blue Moon” (uma vez a cada Lua Azul) é usada para se referir a um evento que demora a se repetir.

Lua Rosa

Esta é outra “cor” com origem no folclore. Os índios norte-americanos marcavam a passagem do tempo pelas luas cheias, e cada uma tinha um nome diferente, refletindo um acontecimento que ocorria na mesma época de seu surgimento. 

Por exemplo, a Lua do Lobo (Wolf Moon), primeira Lua Cheia do ano, tem esse nome pois segundo os nativos ocorre quando os lobos poderiam ser ouvidos uivando ao máximo, quando não havia comida suficiente por causa do inverno.

Phlox Subulata, planta cujas flores dão nome à “lua rosa”. Imagem: Phillip Merritt, via Flickr (CC-BY-NC-SA 2.0)

Da mesma forma, a Lua Rosa reflete um acontecimento aqui na Terra: o florescimento de uma planta nativa da América do Norte chamada Phlox Subulata, que tem flores rosadas. 

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