Uma reclamação recente apresentada pela Epic Games na Justiça revelou que o Google considerou por certo período de tempo uma parceria com a chinesa Tencent para obter certo poder sobre a desenvolvedora de jogos, ou mesmo assumir o controle total da empresa.

A informação vem de uma queixa apresentada pela Epic ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos do Norte da Califórnia algumas semanas atrás, com detalhes privados agora expostos por meio de uma ordem judicial, apesar do pedido do Google para “mantê-los lacrados” ao público.

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O documento alega que um executivo não identificado da gigante de tecnologia sugeriu “resolver desentendimentos com a Epic adquirindo uma parte da empresa” que pertence à Tencent – detentora de 40% da desenvolvedora.

“O Google reconheceu que a Epic pôde não aceitar sua oferta”, declara o documento. “’Como uma alternativa potencial, um executivo sênior do Google propôs que o Google ‘considerasse abordar a Tencent’, uma empresa que possui uma participação minoritária na Epic, ‘para (a) comprar ações da Epic da Tencent e obter mais controle sobre a Epic’, ou ‘(b) associe-se à Tencent para comprar 100% da Epic'”.

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Fachada de um dos prédios do Google. Imagem: Jay Fog/Shutterstock

Essas discussões seguiram a decisão da Epic de lançar ‘Fortnite‘ no Android por meio de seu próprio “baixador”, distribuído em parceria com a Samsung. A motivação da empresa era evitar o corte de 30% na receita que o Google tira da loja, semelhante ao da Apple.

Os documentos judiciais afirmam que o Google considerou a ação da plataforma um “risco de contágio” que resultaria em mais desenvolvedores se afastando da Play Store, fazendo referência também ao “Projeto Hug” – iniciativa do navegador de, supostamente, manter publishers e editores no aplicativo por meio de incentivos financeiros.

O Google calculou que poderia perder até US$ 6 bilhões em receita caso os desenvolvedores seguissem os passos da Epic e lançassem os games e outros tipos de apps fora do Google Play.

O documento ainda aponta que, para conter o mencionado “risco de contágio”, o Google fez acordos preferenciais com os principais desenvolvedores de aplicativos – incluindo a Activision Blizzard – para mantê-los vinculados à Play Store.

Google queria se unir à Tencent para assumir o controle parcial ou total da Epic Games. Imagem: Shutterstock.com

Outra iniciativa, chamada de ‘Projeto Banyan”, alega que o Google planejava gastar centenas de milhões de dólares em “acordos secretos com mais de 20 desenvolvedores de ponta que estavam” próximos à (ou pensando sobre) retirar alguns produtos da Play Store.

Por ora, a Epic está buscando uma liminar por meio deste documento para impedir as práticas “anticompetitivas” do Google e alega que a empresa quebrou a promessa feita de criar um ecossistema aberto logo após adquirir o Android.

O relatório alega que o Google “mudou seu curso de conduta [de forma] deliberada e sistematicamente, fechando o ecossistema Android à competição, quebrando as promessas que fez”.

A Epic já está travando uma batalha antitruste com o Google após a remoção do ‘Fortnite’ da Play Store, que deverá seguir a julgamento em um futuro próximo, mas sem data definida.

Vale ressaltar que a desenvolvedora por trás de ‘Fortnite’ também está envolvida em uma disputa legal semelhante com a Apple. O veredicto do julgamento ainda não foi divulgado.

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Fonte: gamesindustry.biz

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