Dados oficiais liberados na sexta-feira (19) pelo órgão de saúde pública do governo britânico confirmam uma suspeita que já havia sido explorada pela Organização Mundial da Saúde (OMS): de que a final de Eurocopa, em Londres, foi uma das responsáveis pelo aumento local no número de infectados pelo coronavírus.

A partida, que aconteceu em julho passado, levou ao estádio de Wembley uma multidão de cerca de 67 mil pessoas.

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Os dados de teste e rastreamento do Public Health England (PHE) e do National Health Service (NHS) sobre a final mostram que 5,7 mil casos de coronavírus confirmados ocorreram por conta da ocasião.

A análise, no entanto, estima quantos desses casos eram de pessoas que já estavam infectadas durante a partida, ou seja, que acabaram transmitindo o vírus no evento; e quantas foram infectadas por estarem participando do evento.

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Nesse sentido, 2.295 pessoas dentro ou ao redor do estádio provavelmente estavam infectadas no momento da partida, enquanto que outras 3.404 pessoas dentro e ao redor do estádio foram potencialmente infectadas.

Imagem possui a ilustração de diversos coronavirus
Crédito: Shutterstock

Jenifer Smith, vice-diretora médica da Saúde Pública da Inglaterra, afirmou que o evento foi, no entanto, “uma ocasião única e é improvável que tenhamos um impacto semelhante nos casos de covid-19 em eventos futuros”, disse ela, por meio de nota.

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O grande papel do levantamento feito pelo órgão público britânico é mostrar e esclarecer, por meio de dados, o comportamento do vírus e como ele pode ser facilmente disseminado quando há ocasiões em que o contato das pessoas é bastante próximo, como acontece em estádios.

“Isso serve de alerta para todos nós enquanto tentamos, mais uma vez, retornar à normalidade cautelosa”, complementou Jenifer.

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Prova de que o distanciamento social é fator de grande contribuição quando se fala de impedir a desseminação do coronavírus, e que corrobora com a fala de Jenifer, foi outro grande evento teste realizado no país e monitorado pelo governo britânico: o Grande Prêmio de Fórmula 1.

Realizado em Silverstone, em julho, a ocasião atraiu uma multidão de 350 mil pessoas – considerada a maior no Reino Unido em mais de 18 meses de pandemia.

Diferentemente da partida da Eurocopa, no entanto, os três dias de Fórmula 1 registraram 585 casos de Covid-19, monitorados pelo sistema de teste e rastreamento do sistema britânico de saúde.

Na visão do Secretário de Cultura, Oliver Dowden, o levantamento mostra uma esperança com relação à possibilidade de reintroduzir eventos em massa, mas ressalta que “é importante que as pessoas permaneçam cautelosas ao se misturar em ambientes muito lotados”.

O estudo do órgão de saúde mostra, ao todo, o resultado de 37 eventos de teste realizados ao longo de um período de quatro meses, que resultaram no Programa de Pesquisa de Eventos. Os dados ainda estão sendo compilados e estudados para continuidade das análises.

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