Pesquisadores descobriram que um tipo de diamante bem raro foi formado a mais de 400 quilômetros abaixo da superfície a partir do carbono “reciclado” outrora presente em organismos vivos. Essa origem é diferente do que se conhece sobre a formação desses cristais brilhantes, que, a grosso modo, são pedaços de carbono submetidos a enormes pressões.

Existem três tipos principais de diamantes na natureza: os litosféricos se formam na litosfera terrestre, a uma profundidade de 150 a 250 quilômetros, e são os diamantes mais comuns. Bem mais raros são os diamantes oceânicos, encontrados em rochas nos oceanos, e os continentais superprofundos, encontrados entre 300 e 1.000 quilômetros abaixo da superfície.

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Fomos mais para o alto do que para o fundo

Para efeito de comparação, a ida de Jeff Bezos ao espaço se caracterizou por uma subida a 100 quilômetros acima do nível do mar. Já a Estação Espacial Internacional, orbita cerca de 400 quilômetros acima da Terra. Já o petróleo do pré-sal, fica entre quatro e seis quilômetros da superfície da parte do Atlântico que se estende entre a costa de Santa Catarina e a costa do Ceará.

Isso quer dizer que os diamantes oceânicos e os continentais superprofundos são bem diferentes daqueles que são encontrados em joalherias. Uma das principais diferenças está na variação da assinatura de um isótopo chamado carbono treze, que pode ser usada para determinar se o carbono tem origem orgânica ou inorgânica.

Carbono orgânico continental

Um vulcão entrando em erupção
Diamantes de locais profundos do continente são cuspidos para a superfície por meio de erupções vulcânicas. Crédito: Wikilmages/Pixabay

Com base nessa assinatura, outros grupos de pesquisadores já haviam sugerido que a formação original dos diamantes oceânicos se deu a partir do carbono orgânico que existia nos seres vivos. Por outro lado, por conta da quantidade variável de carbono treze, é mais difícil afirmar se eles são feitos do carbono presente em seres vivos.

No entanto, esta nova pesquisa, liderada pelo geólogo Luc Doucet, da Universidade Curtin, em Perth, na Austrália, descobriu que os núcleos dos diamantes continentais superprofundos têm uma composição bem parecida com a dos oceânicos. Isso significa que esses cristais também se formaram a partir de criaturas que outrora foram seres vivos.

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Segundo Doucet, a descoberta dá um novo significado para o ditado “do lixo ao luxo”, e a pesquisa ajudou a descobrir que a Terra tem mecanismos para transformar o carbono de seres vivos em diamantes, isso algumas centenas de quilômetros abaixo da superfície da Terra. Segundo ele, esses diamantes são trazidos à superfície por meio de erupções vulcânicas.

Via: Science Alert

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