O norte do Peru tem intrigado ambientalistas, que observaram que a população de ursos-de-óculos praticamente dobrou na região, apresentando um volume de indivíduos da espécie consideravelmente maior do que o que se pensava anteriormente.

O urso-de-óculos é uma espécie nativa da América do Sul, por vezes também chamado de “urso andino”. Ela é ameaçada de extinção e considerada uma “espécie guarda-chuva”, ou seja, a sua preservação não beneficia apenas a ela, mas a outros animais também. Entretanto, esse urso é reconhecidamente tímido, o que dificulta o aprendizado de seus hábitos.

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Imagem mostra um urso-de-óculos olhando para a câmera com curiosidade. Ele está à beira de um lago
O urso-de-óculos, por vezes chamado de “urso andino”, é a única espécie de urso nativa da América do Sul, e está ameaçada de extinção. Esse animal é raro de se ver na natureza, por serem extremamente tímidos. Imagem: Bildagentur Zoonar GmbH/Shutterstock

Mas um time de pesquisadores formado por membros das universidades de Gotemburgo, Martin Luther Hale-Wittenberg (MLU) e Stony Brook, aparentemente, deu sorte: ao desembarcar na região com o objetivo original de investigar o macaco-barrigudo, eles foram alertados de que a presença de ursos-de-óculos na região vem se intensificando. Dada a oportunidade de observar um animal tão elusivo, os pesquisadores decidiram mudar sua missão:

“Membros da ONG Yunkawasi nos contaram que esses ursos eram constantemente vistos pela área. Isso atiçou nosso interesse, já que estudar os ursos-de-óculos em tempo real era uma oportunidade única”, disse Julia Osterman, bióloga da MLU. Segundo ela, foi desenvolvido um protocolo de observação específico para esses animais na região conhecida como “Copal Peruano”, majoritariamente configurada de campos abertos de grama baixa com algumas florestas de pequena densidade.

Tal protocolo envolvia o registro fotográfico e de vídeo dos animais, a fim de aprender mais sobre seus hábitos diários e, assim, desenvolver métodos de proteção. Para cada um dos ursos-de-óculos observados no Peru, os pesquisadores lhe atribuíam nomes de acordo com suas características faciais — o “desenho” no rosto deles nunca se repete de um indivíduo para o outro.

Com isso, os pesquisadores estimam haver mais de 10 ursos para cada 100 quilômetros quadrados (km²) — mais que o dobro do que as estimativas anteriores afirmavam.

Urso dourado da vida real também é visto na área

Um urso-de-óculos dourado foi observado no norte do Peru. Segundo especialistas, é a primeira vez que uma observação do tipo foi possível. Imagem: MLU/Divulgação

Coincidentemente, durante suas observações dos ursos-de-óculos, os pesquisadores viram pela primeira vez um urso dourado — algo inédito nas observações do tipo, haja vista que, normalmente, os ursos andinos têm pelagem de cor escura ou preta.

Imediatamente, comparações foram feitas com “Paddington”, o protagonista da obra de literatura infantil “Um Urso Chamado Paddington” (e que virou o filme “As Aventuras de Paddington”, de 2014). Segundo o cânone da obra, Paddington também é peruano.

Vale lembrar que o urso dourado da imagem acima difere do urso pardo — este último, consideravelmente maior e mais pesado, e natural das regiões mais frias da América do Norte.

“Ver um urso dourado da vida real, com os seus próprios olhos, é uma experiência espetacular”, disse Fanny Cornejo da Stony Brook. Entretanto, ainda não é possível determinar a razão pela qual esse urso, especificamente, tem o pêlo dourado, embora os pesquisadores prometam investigar mais.

Aliás, toda a pesquisa de observação pode representar números relacionados apenas ao norte do Peru, o que tornaria os dados muito ligados a uma só região e não poderiam ser extrapolados para outras regiões. Os pesquisadores afirmam que ainda precisam coletar mais dados para determinar se isso é algo específico do Copal Peruano, se algum evento atraiu populações de ursos-de-óculos para lá ou se trata-se apenas de um evento de migração, por exemplo.

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