O Administrador da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), Bill Nelson, disse nesta quarta-feira (25) que espera que a Estação Espacial internacional (ISS) seja sucedida por uma “estação comercial” após ser aposentada, em 2030. A declaração foi feita durante um painel no 36º Simpósio Espacial. “Esperamos expandir a Estação Espacial como um projeto do governo até 2030. E esperamos que seja seguido por estações comerciais”, disse.

A ISS foi completada em 2011 e prevista para continuar em operação até ao menos 2024, período que pode ser ampliado até 2030, a depender de recursos extras para sua manutenção. 

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O futuro da estação é incerto. A agência espacial russa (Roscosmos), parceira da Nasa e da agência espacial europeia (ESA) na construção e manutenção do laboratório orbital, já declarou diversas vezes a intenção de abandonar o projeto em 2024, e se aproximar da China, que está construindo sua própria Estação Espacial, a Tiangong.

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A Estação Espacial Internacional (ISS) é um esforço cooperativo dos EUA, Europa e Rússia. Imagem: NASA

A relação com os russos foi abalada pelo recente incidente com o módulo científico Nauka. Após anos de atraso, quando ele foi finalmente acoplado à ISS um disparo acidental de seus propulsores alterou a posição da estação em órbita, fazendo com que ela perdesse o “controle de atitude”, ou seja, sua posição em relação à Terra.

Um incidente mais grave foi evitado graças à ação rápida dos controladores em solo e dos tripulantes, que usaram os propulsores de uma espaçonave de carga Progress como “contrapeso” à aceleração do Nauka para finalmente estabilizar a estação, após quase uma hora.

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Esperança de colaboração

A agência espacial chinesa (CNSA) já afirmou que sua estação estará “aberta” para colaborações internacionais, e terá espaço reservado para experimentos internacionais em microgravidade. Seis projetos já foram aprovados, incluindo um estudo sobre os efeitos da microgravidade em tumores cancerígenos que será conduzido por pesquisadores da Noruega, Holanda, Bélgica e França.

Entretanto, uma decisão do congresso norte-americano proíbe que a Nasa colabore com sua contraparte chinesa em qualquer atividade. Isso porque, apesar de ser um grande parceiro comercial, a China é vista pelos EUA como um potencial adversário militar. E a tecnologia espacial e projetos militares são mais próximos do que parecem.

Estação Espacial Chinesa Missão Shenzhou-12
O tripulante da Shenzhou-12 Liu Boming se posiciona para montar a extremidade de um braço robótico fora da estação espacial da China. Imagem: CCTV

Apesar da posição do congresso, Nelson tem uma opinião contrária e é a favor da cooperação. “Infelizmente, acredito que estamos em uma corrida espacial com a China”, disse Nelson durante o painel. “Estou falando em nome dos Estados Unidos, para que a China seja uma parceira. Gostaria que a China não nos considerasse como um adversário militar, como a Rússia fez… Eu gostaria de tentar fazer isso. Mas a China é muito reservada, e parte do programa espacial civil é que você precisa ser transparente”.

Recentemente o ex-astronauta canadense Chris Hadfield, que já comandou a ISS, deu uma declaração em sentido semelhante, defendendo mais cooperação. E lembrou que, apesar da rivalidade, os EUA já encontraram uma forma de colaborar no espaço com rivais na Terra. 

“Mesmo durante a Guerra Fria entre a então União Soviética e os Estados Unidos, eles conseguiram encontrar uma maneira de atracar a Apollo e a Soyuz juntas”, disse Hadfield ao SCMP. “Acho que definitivamente haverá oportunidades de trabalhar com a China”, completou o canadense.

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