A startup japonesa Astroscale realizou com sucesso a primeira etapa da demonstração de sua espaçonave ELSA-d, projetada para coletar “lixo espacial”. A espaçonave, cujo nome significa “End-of-Life Services by Astroscale demonstration” (“Demonstração de Serviços de Fim de Vida pela Astroscale”), foi lançada em 22 de março, acompanhada de um “cubesat” de 17 Kg equipado com uma placa magnética para acoplamento.

Durante a demonstração, engenheiros liberaram uma trava mecânica que garantia o acoplamento entre a espaçonave e o cubesat, mas mantiveram ativo o eletroímã que é parte do sistema de captura. Depois, o eletroímã foi desativado, permitindo que o cubesat se afastasse da espaçonave.

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Após alguns segundos em “voo livre”, o cubesat foi recapturado pela espaçonave antes de se afastar demais dela. O processo foi repetido várias vezes, e a demonstração foi usada para testar e calibrar os sensores responsáveis pela aproximação segura do “alvo” e sua captura.

Parece algo simples, mas a operação envolveu a superação de vários desafios. Entre eles a necessidade de manutenção de contato com a espaçonave por um longo período de tempo enquanto ela orbita o planeta. Para isso, foi necessário coordenar 16 estações terrestres em 12 países, para manter contato por até 30 minutos.

“A conectividade de uma missão típica de órbita terrestre baixa varia de 5 a 15 minutos, com 1 ou 2 provedores de estações terrestres em alguns locais”, disse Alberto Fernandez, chefe de engenharia de sistemas terrestres da Astroscale. “A ELSA-d está realizando demonstrações complexas que nunca foram feitas antes, e precisamos de uma cadeia de conectividade muito confiável e incomumente longa para fornecer um fluxo de dados em tempo real constante durante as demonstrações.”

Este foi apenas o primeiro de uma série de testes que serão realizados nos próximos meses. Os próximos passos envolvem permitir que o satélite se afaste mais da espaçonave, fazê-lo girar como um pedaço de lixo espacial fora de controle e, por fim, permitir que a espaçonave inspecione o alvo, analise seu movimento e então determine a estratégia mais segura e eficiente para se aproximar dele.

“Este foi um fantástico primeiro passo na validação de todas as tecnologias-chave para operações de aproximação e captura no espaço”, disse o fundador e CEO da Astroscale, Nobu Okada, em comunicado. “Estamos orgulhosos de ter provado nossas capacidades de captura magnética e entusiasmados em alavancar as operações de manutenção em órbita com ELSA-d”.

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