Um estudo publicado pela Nature Astronomy revela que, ao contrário do nosso sistema, em outras regiões do espaço, estrelas iguais ao Sol engolem seus planetas, em ocorrências de migração e disrupção de órbitas causadas por corpos maiores, que atrapalham corpos menores.

Explicando: exoplanetas de tamanhos médios e grandes trazem órbitas mais irregulares, comumente atravessando o caminho de planetas menores. Devido à força gravitacional maior dos conjuntos de maior massa, esses planetas menores acabam “empurrados” para um caminho que os leva a destinos errantes – quando eles se “desgarram” da estrela – ou a destinos de morte, quando suas órbitas “entram” na estrela.

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Ilustração mostra um sistema estelar binário, com estrelas iguais ao Sol
Sistemas estelares binários, formados por estrelas onde ao menos uma delas é similar ao Sol, tendem a “engolir” planetas cujas órbitas irregulares os levam em sua direção. Imagem: Tomasz Adamski/Shutterstock

“Na maioria desses sistemas dinâmicos, é bem provável que alguns planetas tenham caído dentro da estrela que lhes hospeda. Entretanto, não conseguimos determinar o quão comum eram esses episódios caóticos, se comparados a sistemas mais quietos, como o nosso, onde a nossa arquitetura favoreceu o avanço da vida na Terra”, disse Lorenzo Spina, pesquisador de pós-doutorado no Instituto Nacional Italiano para a Astrofísica.

Spina explicou que determinar essa frequência seria complicado mesmo com os instrumentos mais precisos do setor, então eles improvisaram uma observação diferente: acompanhar sistemas binários, ou seja, sistemas centralizados em duas estrelas conjuntas – onde as estrelas podem ser iguais ou similares ao Sol.

“[Neste caso] se um planeta cair em uma das estrelas, ele será dissolvido pelas camadas externas dela”, disse o especialista. “Isso pode modificar a composição química da estrela, o que significa que podemos ver mais elementos que formam planetas rochosos – tal como o ferro – do que normalmente veríamos”.

Junto de sua equipe, Spina observou o espectro de 107 sistemas binários    cujas estrelas eram similares ao Sol, avaliando o espectro de luz produzido por elas. Com isso, puderam estabelecer quais sistemas tinham mais material planetário do que suas respectivas estrelas. Isso levou-os a três conclusões:

“Primeiramente, vimos que estrelas com camada externa mais fina têm maior probabilidade de serem ricas em ferro em relação às suas companheiras. Isso é consistente com elas engolirem planetas, já que o material diluído na camada externa traz uma mudança maior na composição química.

Depois, percebemos que estrelas mais ricas em ferro e outros elementos de planetas rochosos também contém mais lítio que suas companheiras. O lítio é rapidamente destruído pelas estrelas, mas é conservado em planetas. Então uma quantidade estranhamente alta dele em uma estrela pode significar que o elemento chegou após a sua formação, o que é consistente com a ideia de que o lítio foi carregado por um planeta que acabou engolido pela estrela.

Finalmente, as estrelas com mais ferro que suas companheiras também tem mais ferro que outras estrelas na galáxia. Entretanto, essas outras estrelas são abundantes em carbono, um elemento volátil e, por isso, não carregado por rochas. Por isso, essas estrelas binárias acabaram enriquecidas por material planetário”.

Tudo isso, segundo o especialista, servirá para que, no futuro, análises químicas ajudem pesquisadores a identificarem com maior precisão planetas análogos à Terra. Isso é um paradigma interessante já que, considerando o volume de estrelas dentro de qualquer galáxia, a ausência de um método específico de busca nos dificulta encontrar uma suposta “nova Terra”.

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