“O Open Banking é um processo inevitável”, acredita o chefe do Departamento de Regulação do Banco Central do Brasil (BC), João André Marques. Ele e outros executivos participaram do evento on-line “Open Banking e a evolução do sistema financeiro”, promovido nesta quarta-feira (1) pela Thales, empresa especializada em sistema da informação.

O Open Banking, também conhecido como Sistema Financeiro Aberto, está sendo implementado em fases no Brasil. O processo, que visa a democratização dos dados bancários, teve início em fevereiro deste ano, com previsão de finalização em dezembro.

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Marques explicou que o novo sistema financeiro visa colocar o cliente como centro das instituições bancárias, buscando sempre uma melhor experiência.

No primeiro momento, o conceito de compartilhamento de dados entre as instituições financeiras pode assustar, mas, futuramente, será algo comum no dia a dia, da mesma forma que ocorreu com serviços que outrora também eram novidade, como os aplicativos de delivery e de compartilhamento de carros.

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília
“O Open Banking é um processo inevitável”, afirmou o chefe de regulação do Banco Central. Imagem: Donatas Dabravolskas/Shutterstock

De acordo com o chefe de Regulação do BC, o Open Banking trará diversos benefícios aos brasileiros, afinal, com os dados compartilhados entre os sistemas bancários, a expectativa é de que haja aumento de competitividade entre as instituições o que trará, como consequência, melhores ofertas e serviços, com taxas mais competitivas ao cliente final.

Com isso, o cliente poderá escolher entre as instituições e não ficará mais preso a um relacionamento com um banco específico.

Por exemplo, se uma pessoa precisa de um empréstimo, ela poderá consultar todas as instituições que oferecem o serviço para buscar a que melhor lhe atende, pois todas essas organizações conseguirão acompanhar os dados bancários, bem como terão acesso ao perfil desse consumidor.

“A premissa do Open Banking é a centralidade no cliente. Estamos quebrando um paradigma que é natural do sistema financeiro”, disse João André. “Com a tecnologia atual, é possível cortar alguns caminhos e facilitar que as pessoas tenham acesso aos produtos”.

Da mesma maneira, as intuições bancárias também serão beneficiadas, pois o grau de incerteza na concessão de crédito é menor, explica o head de marketing e desenvolvimento de negócios para bancos e pagamentos da Thales, Cássio Batoni.

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Marques, do BC, ressalta ainda que o compartilhamento de dados entre as instituições financeiras só pode acontecer mediante a autorização do cliente. Caso a liberação não aconteça, nada mudará.

Segurança do Open Banking

Marques relata que o Banco Central está implementando o sistema financeiro aberto em fases com intuito de garantir a segurança do compartilhamento dos dados que são sensíveis e incluem informações sigilosas.

Abílio Branco, head de vendas de proteção de dados na Thales Brasil, afirmou que todos os clientes que aderirem o Open Banking estão protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), permitindo que cada pessoa escolha o que será compartilhado.

Além disso, Branco ressaltou que os dados serão compartilhados de maneira criptografada e afirmou que o sistema é seguro, mas que o elo mais fraco continua sendo o ser humano que está por trás das operações.

LGPD
Quem aderir ao Open Banking está protegido pela LGPD. Imagem: Vector Image Plus/Shutterstock

O especialista em proteção de dados lembra que os clientes devem se atentar a quem e para a forma como são enviadas as informações bancárias.

Branco fez uma analogia com a vida on-line e presencial, ele explica que pessoalmente evitamos ir até uma agência bancária em lugar desconhecido durante a noite, mas que na internet é comum não tomar os mesmos cuidados com ambientes que não são seguros.

O executivo afirmou que um invasor mal-intencionado, que acessa os dados de uma pessoa que aderiu ao Open Banking, além de conseguir usufruir de produtos do banco em questão, também poderá utilizar serviços de outras instituições – o que mostra a importância de como o usuário deve sempre proteger suas informações e cuidar ao compartilhá-las.

“Se você pode mais, você tem de tomar mais cuidado”, completou Marques, ao relatar que as pessoas terão mais acesso e mais opções de escolha.

Crédito da imagem de destaque: Profit_Image/Shutterstock

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