A Nasa confirmou a primeira amostra de solo coletada pelo rover Perseverance em Marte, extraída no último dia 2. Foi a segunda tentativa – a primeira bem sucedida – após um mês de espera desde que a primeira perfuração rendeu um tubo de ensaio vazio, graças a uma amostra excessivamente porosa que se desfez durante a coleta, no início de agosto.

A informação foi celebrada pelo perfil oficial do veículo de exploração terrestre no Twitter, com uma série de imagens confirmando a presença do núcleo rochoso extraído do solo. Ao longo de 2022, a expectativa é que a Nasa confirme mais de duas dúzias de amostras de solo coletadas pelo Perseverance, que deve fazer mais de 40 extrações ao longo de sua missão.

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O registro da primeira amostra do Perseverance é histórico e traz um peso considerável na exploração do planeta vermelho. Outras rochas originadas de Marte existem na Terra, mas todas são decorrentes de meteoritos que atingem a superfície do nosso planeta (e, consequentemente, podem estar seriamente degradadas). A extração feita pelo Perseverance representa a primeira ação humana de coleta, e será enviada de volta à Terra em uma missão posterior.

O Perseverance é um projeto desenvolvido pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em uma missão homônima que representa um esforço em conjunto com a agência espacial europeia (ESA). Lançado em 30 de julho de 2020 e aterrissando no planeta vermelho em fevereiro deste ano, o veículo de exploração está localizado na Cratera Jezero, uma depressão terrestre de grande porte que, acredita-se, armazenava um enorme lago há bilhões de anos.

Por causa de sua configuração específica, a cratera Jezero levou a especulações de que seu solo pode ser rico na presença de materiais planetários antigos – a grosso modo, a missão do Perseverance é coletar amostras de solo e gás da região a fim de determinar a presença – atual ou antiga – de vida, analisando as amostras para a identificação de possíveis bactérias primordiais.

O processo de coleta é relativamente simples: o rover é equipado com uma furadeira reforçada, que penetra em formações rochosas e extrai uma parte de seu núcleo (essa amostra tem mais ou menos um dedo de tamanho), selando-a em um tubo de titânio. Antes disso, porém, o robô fotografa o material retirado para que a Nasa confirme tratar-se de uma amostra válida. Em agosto, foi nesta parte que os cientistas do JPL perceberam a falha da primeira coleta: o tubo estava vazio.

Desde então, a agência espacial americana formulou um plano mais abrangente de coleta – um de seus cientistas afirmou, com todas as letras, que o Perseverance passaria a coletar “todas as pedras no caminho”. Na segunda tentativa, porém, já tivemos êxito, com a amostra bem sucedida de uma rocha apelidada “Rochette”.

Agora, o Perseverance fará o processamento da amostra enquanto segue seu caminho em direção ao que já foi o delta de uma imensa bacia hidrográfica. Após isso, o robô fará o trajeto de volta à base onde ele pousou.

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