O sistema solar não foi criado por um único evento, mas sim uma série de explosões estelares – ou “supernovas” – ocorridas nas proximidades do que, hoje, conhecemos como a nossa casa no espaço. Segundo um novo estudo, elementos necessários para a criação de planetas podem ser abundantes na constelação de Serpentário (Ophiuchus), a 28,7 mil anos luz de nossa posição.

A nova pesquisa, publicada na Nature, afirma que a região traz elementos de formação estelar, sendo especificamente abundante em alumínio-26, um componente químico bastante presente dentro de estrelas e planetas, mas com uma vida relativamente curta (100 mil anos em média). Como planetas levam bilhões de anos para se formar, a especulação do estudo é a de que uma fonte abundante desse elemento tem que estar próxima de nós.

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Imagem mostra uma explosão estelar, que pode ter dispersado elementos que levaram à criação do sistema solar. Esses eventos são conhecidos como "supernovas"
Explosões supernovas podem ter dispersado elementos que deram origem ao nosso sistema solar, segundo um novo estudo feito nos EUA. Imagem: NASA Images/Shutterstock

Um dos grandes mistérios da astronomia é como chegamos às condições de criação dos planetas e outros corpos do nosso sistema solar. Sabemos que elementos radioativos chegaram à área próxima do Sol, interagindo com a estrela de forma a criar os planetas ao longo de eras.

Cientistas do Instituto Flatiron de Nova York, liderados pelo astrônomo John Forbes, argumentam que essas partículas radioativas são mais evidentes em regiões onde estrelas nascem e morrem com frequência – como a região próxima à constelação de Serpentário.

“A maior parte de nosso trabalho em entender a fonte de alumínio-26 e outros radionuclídeos de vida curta presentes no sistema solar é, por necessidade, idealizada e não necessariamente observada”, disse Forbes. “Serpentário nos oferece um exemplo real de como isso tudo pode funcionar, o que é extremamente útil quando lidamos com um processo tão complicado”.

O entendimento atual é o de que planetas nascem do material que sobra da criação e da morte de estrelas. O alumínio-26 é amplamente presente no núcleo incrivelmente quente de uma estrela: quando ela “morre”, ou seja, entra em fase de supernova, a explosão subsequente espalha partículas desse e outros elementos (chamados de “inclusões ricas em alumínio-cálcio”, ou “CAIs”, na sigla em inglês). Esses materiais se juntam no espaço, estabelecendo as massas primordiais que, eventualmente, se tornarão planetas.

Antigamente, estimativas indicavam que uma única supernova poderia ser responsável por toda a criação do nosso sistema solar. No aspecto energético, faz sentido, mas Forbes e sua equipe afirmam que o volume de alumínio-26 não é alto o suficiente para explicar sua dispersão por um único evento.

“Para que certas massas estelares entrem em supernova, é preciso ter alumínio-26 o suficiente, mas devido à rápida degradação desse elemento, para tudo ter origem em um só evento, esse evento teria que ser muito recente e ter a média de massa exata”, disse Forces. “É possível? Sim, mas não é provável”.

A outra opção seria uma série de eventos do tipo. Esse panorama é viável na constelação de Serpentário, que fica praticamente na borda de uma região recheada de estrelas gigantes. Aqui está o ponto de interesse: estrelas massivas tendem a viver menos tempo – “apenas” 40 milhões de anos. Para fins de comparação, o nosso Sol, que não é, nem de perto, uma estrela gigante, tem uma vida estimada de 10 bilhões de anos.

Graças à vida mais curta, essas estrelas gigantes entram em supernova com mais frequência. Isso, normalmente, é algo ruim para a criação planetária: supernovas esquentam demais as regiões próximas à ela, destruindo a maior parte dos elementos necessários para o nascimento de novos corpos celestes (fora que buracos negros podem nascer de supernovas, complicando ainda mais o processo)

Mas elas também dispensam uma quantidade abundante de alumínio-26.

Ao analisar a constelação Serpentário em diversas faixas de frequência, os cientistas determinaram que os discos que viriam a se tornar estrelas dentro dela provavelmente foram inundados por alumínio-26 vindo de supernovas ocorridas em estrelas vizinhas.

“A descoberta de que o alumínio-26 estaria prontamente disponível para alguns sistemas planetários se formarem é certamente empolgante”, disse Fred Ciesla, cientista planetário da Universidade de Chicago e que não está envolvido com o estudo. “Dados os inúmeros papéis que o alumínio-26 desempenhou na formação de nosso sistema solar, isso significa que esse mesmo processo pode ter sido operado em outros ambientes planetários”.

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