Tudo bem que ainda falta pouco mais de dois meses para a Black Friday 2021, mas nunca é cedo demais para começar a se preparar para evitar problemas e dores de cabeça. O evento gringo de megas promoções no comércio chegou ao Brasil e enfrentou bastante desconfiança nos primeiros anos, já que os descontos prometidos não eram muito reais, ou “tudo pela metade do dobro”, como apelidaram os consumidores.

Na metade do mês de agosto, o Instituto Reclame Aqui realizou uma pesquisa com quase 24 mil pessoas que acessaram o site para averiguar a intenção de compra dos consumidores na maior promoção do varejo brasileiro. E apenas 20,5% do total admitiu que vai realizar alguma aquisição na Black Friday, os outros 79,5% disseram que não.

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O termo “Black Fraude”, apelido da data comercial no Brasil, foi usado para definir o momento por 48,8% dos consumidores entrevistados. Outros 27,1% afirmaram que não existe Black Friday por aqui e 11% dizem que piorou muito. Apenas 6,9% acham o momento uma boa data pra compra e 6,3% enxergam melhorias nos últimos anos.

As incertezas para com a data, de acordo com Edu Neves, CEO do Reclame Aqui, vêm justamente do histórico frustrante no país. “Nos primeiros anos que a Black Friday estreou, tivemos muito problema de descontos falsos, problema de funcionamento das lojas online, que não suportavam trafego. Uma sequência de estresses que o consumidor enfrentou”, disse, em entrevista ao Olhar Digital News.

Os problemas podem até ter diminuído com o passar do tempo, mas os descontos não são tão atrativos quanto as pessoas esperam. Edu Neves afirma que a ausência reduções de 50% ou 70% nos preços acontece por causa de como funciona o sistema tributário funciona, embutindo os custos nos produtos. Assim, a Black Friday se tornou uma data importada difícil de ser cumprida.

Mas, fora isso, há também as lojas que não cumprem com as promoções prometidas. Entre as reclamações dos consumidores estão também a ausência de itens iguais nas lojas. Por outro lado, as pessoas aprenderam a enfrentar essas adversidades. De acordo com o CEO do Reclame Aqui, há quem imprima a tela indicando os dados necessários para exigir a correção do que aparecer diferente.

Pessoa realizando compra online com cartão de crédito
É necessário observar se o desconto prometido aparece ao finalizar a compra. Imagem: Negative Space

Caso o consumidor ainda assim compre algo, é importante olhar o preço a ser pago, tanto no cartão ou no boleto pela internet como na loja física, para comparar com o anúncio. “Se não for, pode imediatamente pedir que a loja cumpra preço. Caso não faça, a pessoa pode usar o Reclame Aqui ou até ir em busca de seus direitos em um órgão de defesa do consumidor”, explicou Edu Neves.

E se já tiver comprado com os valores corretos, há ainda o direito ao arrependimento feito nas compras online, com o prazo de sete dias. “Em loja física depende da boa vontade da loja, porque você teve contato com o produto e não pode alegar arrependimento”, completou o CEO do site.

Edu Neves alertou ainda sobre o cuidado com golpistas, já que as datas de grandes promoções são as favoritas para esse tipo de prática ilegal. “Não compre de desconhecido. Se não conhece, pergunte a um amigo, pesquise na internet, redes sociais. Veja experiências de outras pessoas, avaliações das marcas. Se não encontrar nada, melhor não comprar. O preço muito agressivo é a primeira arma do golpista”, concluiu.

Confira outros dados da pesquisa sobre a Black Friday:

Ainda na pesquisa do Reclame Aqui, consumidores alegaram que não vão comprar, principalmente, por não enxergar promoções reais. O percentual neste caso foi de 64,4%. Outros 15,4% afirmaram que tudo está caro por causa da pandemia da Covid-19. O orçamento apertado e o gasto em outras promoções também foram citados por parte dos entrevistados, além daqueles que não precisam de nada novo.

Já entre os que vão gastar durante a Black Friday, o preço é o maior atrativo para 72%. As lojas online devem receber 65,3% dos consumidores, enquanto 28,7% vão adquirir produtos em lojas físicas. Há ainda aqueles que vão usar as redes sociais para realizar as compras, com 6,8% direcionados ao Facebook e Instagram e 5,2% ao WhatsApp.

Dois terços já monitoram os preços e, desses, 38,1% faz isso há mais de seis meses.Os produtos mais desejados são os eletrônicos, com 10,5% do total. Confira outros itens:

  • TV 7,4%
  • Smartphone 8%
  • Tênis 4,3%
  • Videogame (jogos, consoles…) 4,6%
  • Roupas e calçados 6,6%
  • Alimentos e bebidas 2,5%
  • Notebook/tablets 6,6%
  • Linha branca de eletrodomésticos (geladeira, microondas, etc) 5,8%
  • Eletrônicos (sound bar, caixas de som, fones, etc) 10,5%
  • Produtos de beleza 3,4%
  • Móveis 4,4%
  • Brinquedos 2%
  • Livros 3,6%
  • Tratamentos estéticos 1,3%
  • Viagem 3,9%
  • Carros 1,3%
  • Imóveis 1,2%
  • Acessórios para carros 1,3%
  • Artigos esportivos/ginástica 2,4%
  • Decoração/acessórios para casa 4,2%
  • Outros 14,7%

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