O elusivo “Planeta Nove”, do qual já falamos no Olhar Digital, pode estar entre os 461 novos objetos que uma nova pesquisa identificou na região do Cinturão de Kruiper, uma área do espaço que fica além de Netuno – e que é tão escura, fria e misteriosa que nosso conhecimento sobre ela é relativamente reduzido.

Usando dados da Pesquisa de Energia Escura (“DES”, na sigla em inglês), cientistas de várias instituições – incluindo a Universidade da Pensilvânia – mapearam 817 objetos trans-netunianos (TNOs), dos quais os 461 mencionados nos eram, até então, inéditos, efetivamente criando o segundo maior catálogo de objetos do cinturão de Kruiper obtidos em uma única pesquisa.

publicidade

Leia também

Ilustração do hipotético Planeta Nove, teoricamente presente na região do Cinturão de Kruiper, no nosso sistema solar
Os objetos trans-netunianos pertencem a uma região escura e desconhecida do nosso sistema solar, onde pode estar escondido o elusivo “Planeta 9”. Imagem: Vadim Sadovski/Shutterstock

O interessante é que a DES, que foi conduzida entre 2013 e 2019, não tinha o objetivo de caçar TNOs. Ela, na verdade, buscava estudar objetos e fenômenos como supernovas e aglomerados estelares a fim de calcular a aceleração com a qual o universo vem se expandindo – algo que é diretamente influenciado pela energia escura.

Entretanto, o nível de profundidade e detalhamento da pesquisa nos ajudou a enxergar mais objetos que o normal na região do cinturão. E isso tem um peso considerável na comunidade, uma vez que a ausência de interferência de objetos mais visíveis contribui para uma observação mais precisa. Segundo especialistas, o cinturão de Kruiper retém algumas dinâmicas relacionadas ao início do sistema solar. A grosso modo, ele é o que nos permite enxergar como a nossa “vizinhança espacial” era há milhões de anos.

E nisso entra o chamado “planeta nove”: existe um subgrupo de objetos chamado “TNOs extremos”, cujas órbitas ultrapassam a marca de 150 unidades astronômicas (uma UA é igual a 150 milhões de km). A existência desses objetos, segundo alguns astrônomos, é evidência de que alguma coisa consideravelmente grande tenha causado, há milhões de anos, um “tumulto gravitacional” – algo grande como, digamos, um planeta.

O planeta nove é, hoje, um objeto hipotético, ou seja, nós nunca conseguimos observá-lo ou comprová-lo. Mas o comportamento de outros objetos na região onde ele teoricamente está posicionado é amplamente explicado somente – ou principalmente – pela existência dele.

Além disso, pudemos novamente observar o cometa Bernardinelli-Bernstein, que orbita em um caminho em direção ao Sol, quatro novos asteroides ligados à órbita de Netuno e, finalmente, um “objeto destacado”, assim chamado por não estar sob influência de nenhuma outra órbita na região.

As conclusões e dados posicionadas no novo paper foram entregues para revisão de pares – um passo importante para a aceitação de um estudo científico como fato -, mas ela já pode ser consultada na íntegra na base de dados científica arXiv.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!