Os ônibus espaciais surgiram nos EUA em 1981, em substituição ao foguetes do programa Apollo, que levaram o homem à Lua. Eles foram concebidos pela Nasa como as primeiras espaçonaves reutilizáveis, tornando a viagem até a órbita terrestre mais barata e segura.

Mas os russos também criaram ônibus espaciais. E de acordo com o site Russia Beyond, o programa coletivamente conhecido como Buran (nevasca, em russo, nome do primeiro modelo), extinto há mais de 30 anos, quase levou o país à falência. Isso porque o custo era tão alto que, com o valor, seria possível construir uma cidade inteira para 10 milhões de habitantes.

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O programa durou tempo suficiente para gastar todas as reservas do governo. No entanto, quase não saiu do chão, tendo realizado apenas um voo espacial, em 15 de novembro de 1988, quando completou uma missão não tripulada de 3,5 horas em volta da Terra.

E embora o Buran original tenha sido destruído em um desabamento de seu hangar em 2002, outros ônibus foram construídos, porém nunca completados, e seus “restos” ainda levantam polêmica. Na última semana Dauren Musa, chefe do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, respondeu duramente aos esforços da Rússia para realocar e restaurar algumas partes valiosas de um dos ônibus espaciais soviéticos que se encontram no espaçoporto, mais especificamente o 1.02 Ptichka (“Passarinho”, em Russo).

Atualmente, no galpão do cosmódromo, no Cazaquistão, deterioram-se dois modelos inacabados.

Protótipo de um ônibus espacial russo no Baikonur Cosmodrome Museum, em Baikonur, no Cazaquistão. Imagem: Torsten Pursche – Shutterstock

Diretor do cosmódromo do Cazaquistão defende que ônibus espacial fique no país

No Twitter, Dauren Musa provocou o governo russo. “Eles querem pegá-lo, mas quem vai dar a eles?”, referindo-se aos protótipos que estão em seu país.

“O ano do 60º aniversário do voo de Gagarin para o espaço está chegando ao fim, e a indústria [espacial] russa, que recebeu quantias colossais de dinheiro das pessoas, não pode se orgulhar de nenhuma conquista”, continua Musa. “Tudo o que eles podem fazer é exibir os modelos que abandonaram às pressas há 30 anos”.

Os hangares no cosmódromo de Baikonur abrigam um protótipo incompleto do orbitador Izdelye 1.02 (codinome Ptichka) e uma maquete projetada para testes de solo (Izdelye 0.04). Em maio deste ano, fotos revelaram que vândalos invadiram o hangar e cobriram o 1.02 com graffiti e vários dizeres zombando do programa espacial russo.

Protótipo de um ônibus espacial soviético e o foguete Energia, em Baikonur, no Cazaquistão. Imagem: Northfoto – Shutterstock

Recentemente, a diretoria do NPO Molniya, bureau de design soviético que trabalhou no programa Buran, publicou um comunicado à imprensa alegando que havia enviado uma delegação a Baikonur para discutir a transferência de um dos protótipos para a Rússia. 

De acordo com o comunicado, a espaçonave seria restaurada e disponibilizada em museus do país. No entanto, a nota foi removida do site da empresa.

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Segundo o site Cavok, essa foi a segunda tentativa neste ano de retirar os protótipos de Baikonur. Em fevereiro, o Tribunal Econômico Especial de Almaty rejeitou uma reclamação do governo do Cazaquistão de que a espaçonave deveria ser considerada propriedade do governo e exibida em um museu.

Após a decisão do tribunal, Dmitry Rogozin, chefe da Roscosmos, disse que a agência espacial russa tentou comprar um dos “Buran”, mas a negociação não se concretizou devido à incerteza quanto ao verdadeiro proprietário da espaçonave.

Roscosmos acusa Musa de ter “comportamento irresponsável”

Rogozin também respondeu à última postagem de Musa, acusando-o de não cuidar adequadamente dos protótipos. “Você deve parar de escrever essa porcaria sobre a indústria espacial russa, da qual você nada sabe, e avaliar o risco de que seu, na minha opinião, comportamento irresponsável coloque um fim nessas máquinas únicas”, disse.

Em 2002, o colapso do telhado de um dos hangares de Baikonur destruiu o Buran original (Izdelye 1.01), o único que voou para o espaço em um teste não tripulado realizado em 1988.

No total, cinco fuselagens Buran foram completas ou parcialmente construídas pela Molniya durante o programa, bem como mais de dez modelos em escala reduzida e protótipos de pré-produção. A maioria deles foi sucateada, destruída ou vendida após o colapso da União Soviética.

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