O Estado de São Paulo anunciou que vai vacinar com a Pfizer quem está com a segunda dose da AstraZeneca atrasada entre os dias 1 e 15 de setembro. O movimento ocorre por conta da falta do imunizante envasado pela Fiocruz no estado. Mas será que essa mistura é segura?

Misturar vacinas da Pfizer e da AstraZeneca gera proteção?

A decisão do governo do estado se baseia em estudos que indicam que uma dose da Pfizer após a primeira da AstraZeneca garante um bom número de anticorpos. Uma pesquisa preliminar conduzida pela Universidade de Oxford, inclusive, mostra que a combinação pode ser mais poderosa do que as duas doses da AstraZeneca.

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“Parece que a vacina Pfizer aumentou as respostas de anticorpos notavelmente em vacinados com uma dose da AstraZeneca. Essas são notícias maravilhosas”, diz Zhou Xing, imunologista da Universidade McMaster em Hamilton, Canadá em artigo publicado na revista Nature.

De acordo com a pesquisa que envolveu 663 voluntários que haviam recebido a primeira dose da AstraZeneca nos Estados Unidos e na Alemanha, “após essa segunda dose (da Pfizer), os participantes começaram a produzir níveis muito mais altos de anticorpos do que antes, e esses anticorpos foram capazes de reconhecer e inativar o SARS-CoV-2 em testes de laboratório. Os participantes de controle que não receberam uma vacinação de reforço não experimentaram nenhuma alteração nos níveis de anticorpos”, explicam os resultados.

Vacina da Pfizer
Foto: pcruciatti/Shutterstock

Em outros países a mistura de vacinas é usada?

Não é apenas no Brasil que a mistura começou ou vai começar a ser usada. Em países da Europa e no Canadá, após casos envolvendo coágulos sanguíneos em pacientes que tomaram a AstraZeneca, a mistura foi autorizada para alguns grupos. O governo da Alemanha disse ainda que não foram identificadas desvantagens em dar uma dose de um imunizante feito com RNA após a primeira dose da AstraZeneca.

“A intercambiabilidade das vacinas significa que você pode receber uma primeira dose da vacina e com segurança receber uma vacina diferente para a sua segunda dose para completar a série de vacinas necessárias para garantir a proteção ideal contra a covid-19”, explicou o Dr. Howard Njoo, vice-diretor do Departamento Federal de Saúde Pública do Canadá.

Aqui no Brasil, apesar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não ter autorizado a mistura, o próprio Ministério da Saúde já afirmou que a combinação é segura. A liberação do governo federal foi voltada para gestantes que haviam tomado a primeira dose da AstraZeneca, mas depois liberada para locais onde há falta do produto. Nesse caso, o grupo passou a tomar a segunda dose de um imunizante diferente.

Vacina foi feita em parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica Astrazeneca. Imagem: Lutsenko_Oleksandr / Shutterstock.com
Vacina foi feita em parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica Astrazeneca. Imagem: Lutsenko_Oleksandr / Shutterstock.com

Então é seguro misturar a Pfizer e a AstraZeneca?

Segundo o Ministério da Saúde, o Governo de São Paulo, agências do exterior e os estudos feitos até o momento, a mistura não gera qualquer tipo de risco em quem recebe, por tanto é segura. Quem tomar as duas doses vai estar com o esquema vacinal completo. Lembrando que isso vale, até o momento, apenas para a AstraZeneca e Pfizer, combinações de outros imunizantes ainda são testadas.

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