Uma explosão supernova – apelidada pelos cientistas de “Requiem” – foi observada em três locais diferentes no espaço, mas o evento parece ser tão intenso que os especialistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, acreditam que uma quarta imagem dela deve aparecer novamente até 2037.

O nome desse efeito é “lente gravitacional”, e já falamos dele algumas vezes no Olhar Digital. Neste contexto, a mesma supernova ser vista três ou mais vezes em momentos diferentes do tempo se dá pelo fato da explosão Requiem ser tão intensa, que a luz que deriva dela é projetada para nós em várias direções – cada qual com seu tempo.

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Supernova Requiem, observada três vezes pelo telescópio espacial Hubble. Os três pontos mais evidentes de luz na imagem mostram três momentos distintos da mesma explosão
A supernova Requiem foi capturada pela primeira vez em 2016, inicialmente levando à impressão de ser uma galáxia distante, mas seu enfraquecimento de luz em 2019 comprovou tratar-se de uma explosão estelar. Imagem: JOSEPH DEPASQUALE (STSCI)/Reprodução

Esse é mais um exemplo de como o tempo no espaço tende a ter a sua percepção distorcida. A Nebulosa do Caranguejo, por exemplo, é um resquício de uma supernova ocorrida em julho de 1054 – e sua luz é vista até hoje.

No caso da Requiem, a nova imagem da supernova não será visível a olho nu, mas alguns telescópios poderão registrá-la. Isso se dá pela enorme quantidade de gravidade presente em um conjunto de galáxias bem distantes de nós, que fazem com que o espaço se curve tanto que a luz vinda de lá se apresente de forma mais acentuada. As conclusões foram publicadas no jornal Nature Astronomy.

“A nova descoberta é o terceiro exemplo de uma supernova registrada em múltiplas imagens, para a qual nós conseguimos medir seu atraso de chegada”, disse o pesquisador e autor primário do paper Steve Rodney. “[A futura imagem] Será o ponto mais distante de todas as imagens, e o atraso dela é extraordinariamente longo. Nós podemos ver a última chegada, em meados de 2037, com margem de erro de dois anos para mais ou para menos”.

Todas as imagens da supernova Requiem foram exibidas pelo telescópio espacial Hubble. Vê os três pontos mais evidentes na figura acima? Os três são a mesma explosão: a variação de brilho e intensidade denotam três momentos distintos do mesmo episódio. Baseado em estimativas dos cientistas, o tempo de viagem da luz emitida pela Requiem é de aproximadamente quatro bilhões de anos.

A nova estimativa aponta o ano de 2037 como a próxima – e possivelmente, mais fraca – imagem da supernova, baseado em modelos preditivos calculados por computador. Segundo os cientistas, a luz terá que navegar de forma a contornar “bolsões” de matéria escura – o nome dado ao tipo de matéria inobservável diretamente, vista apenas em grandes grupos constelares e somente percebida pelo efeito que ela gera aos corpos celestes ao seu redor.

“Sempre que a luz passa por um objeto massivo, como uma galáxia ou um grupo de galáxias, a distorção do espaço tempo revelada a nós pela teoria da relatividade de Albert Einstein, presente para qualquer tipo de massa, atrasa a viagem da luz ao redor daquela massa”, disse Rodney.

Em uma analogia simplificada, imagine uma estação de trem onde vários trens partem ao mesmo tempo, à mesma velocidade e em direção ao mesmo destino. Entretanto, todos eles seguem caminhos diferentes. Por causa disso, ainda que muitos dos parâmetros sejam iguais, o tempo de chegada ao ponto final será diferente para cada um.

Essa quarta imagem, então, será a mais lenta por ter usado um trajeto mais, digamos, congestionado. No caso, Rodney e sua equipe afirmam que ela provavelmente terá passado justamente pelo meio do grupo de galáxias – onde a concentração de matéria escura é bem maior. Isso faz com que a luz se curve frente à influência dessa matéria, causando o atraso.

Entretanto, vale citar que novos mecanismos de observação espacial humana podem registrar imagens futuras da supernova Requiem. O lançamento do telescópio espacial James Webb, por exemplo, pode ser um vetor disso: o telescópio tido como o sucessor do Hubble é até 100 vezes mais poderoso que seu antecessor e, ao contrário dele, foi projetado especificamente para produzir imagens de objetos no espaço profundo.

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