Uma recente pesquisa descobriu que a aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid-19 pode ajudar pacientes com câncer no sangue – leucemia – a criar os anticorpos que a primeira e segunda dose do imunizante não conseguiu desenvolver. No entanto, publicado na revista Cancer Cell e divulgado pelo Medical Xpress, o relatório também relacionou a falha da produção de anticorpos com os tratamentos de câncer feitos antes da vacinação.

“A dose adicional da vacina da Covid-19 parece estar melhorando a resposta imunológica em muitas pessoas com câncer no sangue – uma das muitas condições que podem suprimir o sistema imunológico de uma pessoa”, disse a autora do estudo e diretora médica da Leukemia & Lymphoma Society, Dra. Gwen Nichols.

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“No entanto, embora a vacinação ofereça proteção para a maioria dos pacientes com câncer de sangue, alguns não irão produzir uma resposta completa de anticorpos, mesmo com esta dose adicional”, acrescentou.

Isso porque o tratamento com o anticorpo rituximabe – utilizado em tratamentos contra linfomas, leucemias, rejeições a transplantes etc. – foi vinculado à falha da produção de anticorpos contra a Covid-19, mesmo após 12 meses da aplicação do anticorpo monoclonal quimérico.

Pacientes em tratamento com inibidores da tirosina quinase de Bruton (BTK) também não produziram anticorpos detectáveis.

Câncer entre jovens
Covid-19: terceira dose em pacientes com leucemia pode não funcionar devido a outros tratamentos contra a doença. Imagem: Rido/Shutterstock

“Os níveis de anticorpos em nosso estudo variaram de 2,2 a mais de 2.500”, disse o coautor do estudo Lee Greenberger, diretor científico da Society. “Os anticorpos nos dizem que um paciente respondeu à vacinação – e isso é um achado positivo, mas os especialistas em vacinas ainda estão trabalhando para determinar exatamente qual nível de anticorpos é necessário para proteger contra a infecção da Covid-19 em seus piores resultados.”

Mesmo com o estudo apontando que a dose adicional pode melhorar a resposta imunológica dos pacientes com leucemia, a pesquisa, contudo, ressalta que as diretrizes atuais de tratamento do câncer não sugerem a pausa de tratamentos de câncer e nem o adiamento da vacinação, recomendando que as pessoas portadoras do tipo de câncer conversem com seus médicos antes de qualquer decisão.

“Concluímos que alguns pacientes com neoplasias hematológicas que são soronegativas após um ciclo completo de vacinação podem se beneficiar de um reforço. No entanto, os reguladores, pacientes e profissionais de saúde devem estar cientes de que um subconjunto considerável de pacientes com câncer no sangue pode permanecer em risco de infecções por Covid-19 após a vacinação completa seguida de vacinação de reforço”, afirmou um trecho do documento.

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A publicação indica que pacientes com leucemia que receberam a primeira e segunda dose devem, sim, se beneficiar da terceira dose, que poderá garantir um reforço. Mas, manter as medidas de segurança, como distanciamento social e uso de máscaras também são altamente recomendados para este grupo.

Segundo comunicado da instituição de estudo à imprensa, pacientes não vacinados com câncer de sangue tendem a ter infecções por coronavírus mais prolongadas e graves, incluindo taxas mais altas de morte. Tanto este estudo, quanto anteriores, já mostraram que pelo menos 100.000 pacientes com câncer de sangue nos Estados Unidos não terão anticorpos mesmo após três doses das vacinas Pfizer ou Moderna.

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