Embora a América Latina tenha alcançado paridade de gênero entre pesquisadores em todas as áreas de conhecimento, a presença de mulheres em posições de liderança na ciência e na tecnologia é mínima. 

Além da disparidade entre homens e mulheres, a pesquisa aponta ainda a acentuada desigualdade racial nos cargos de liderança em ciência e tecnologia. Imagem: Gorodenkoff – Shutterstock

Segundo dados de uma pesquisa feita pelo British Council, e divulgada nesta quarta-feira na conferência global virtual Gender Summit, outros dois problemas graves encontrados são as dificuldades em carreiras de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática, na sigla em inglês) e a acentuada desigualdade étnica.

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O encontro, que vai até o dia 23, discute a importância feminina na ciência.

Apesar de serem maioria entre os alunos de graduação e doutorado no Brasil, as mulheres são sub-representadas no nível da docência universitária. Essa limitação cresce à medida que os cargos de liderança aumentam e se tornam mais políticos. 

De acordo com a Pesquisa Comparativa sobre Mulheres e Meninas em STEM na América Latina, a representação feminina não passa de 2% nos cargos políticos mais elevados em Ciência e Tecnologia.

Vera Oliveira, gerente sênior de Educação Superior do British Council, uma das instituições organizadoras da conferência, afirma que, ao longo da carreira, as mulheres enfrentam as mais variadas barreiras, além de falta de incentivos, dentro e fora do ambiente acadêmico, para alcançar posições mais altas. 

Ela cita como exemplo a rede de apoio para mães pesquisadoras e lembra que a licença maternidade para alunas de pós-graduação é uma conquista recente.

“Usa-se o [curriculum] Lattes de uma mulher e de um homem para comparar o rendimento acadêmico: o tanto que publicaram em certo período. Só se comparava os anos e via quem tinha mais publicação, então o homem rendia mais”, diz Vera, explicando que se desconsiderava, portanto, o período de afastamento por licença. “A mulher é penalizada na produtividade acadêmica justamente por assumir essa nova responsabilidade”.

Mulheres em minoria na liderança em ciência e tecnologia pode indicar machismo estrutural

Segundo Vera, também existem questões culturais a serem superadas. “Muitas vezes, os perfis de liderança são muito associados a características masculinas, um perfil que não permite tantas possibilidades e que está sendo repensado. Liderança pode ser feita de vários modos”. 

Das bolsas científicas em STEM, 91.103 são concedidas no Brasil, segundo dados da pesquisa, das quais 58% foram conferidas a pesquisadores brancos. 

O estudo aponta, ainda, que a participação de pesquisadores negros é de 26% e a de indígenas não chega a 1%. Com o recorte de gênero, entre as bolsistas, 59% são brancas, e as mulheres negras representam 26,8%. 

Ainda de acordo com o levantamento, 17% da população feminina do Brasil, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) de 2016, concluíram o ensino superior. 

Entre os homens, o percentual é de 13,5%. O índice de mulheres brancas formadas é de 23,5%. Os alunos matriculados no ensino superior, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) 2020, somam mais de 8,4 milhões, sendo 57% mulheres e 43% homens.

“As mulheres são grandes contribuintes para as publicações no Brasil: 51% dos autores de publicações científicas são mulheres, enquanto 40% dos 10% dos principais autores mais produtivos são mulheres”.

Fonte: Agência Brasil.

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