Depois de passarem 90 dias no espaço, os “taikonautas” – como são conhecidos os astronautas da missão Shenzhou-12 da China – finalmente voltaram à Terra. Os três viajantes aterrissaram no Deserto de Gobi, norte da capital da nação asiática, à 1h35 do horário local de hoje, 17 (na conversão do fuso horário, isso corresponde às 14h35 de quinta-feira, 16).

A cápsula que carregava os três taikonautas abriu seu pára quedas, desacelerando a descida da tripulação até o pouso. Segundo a agência estatal chinesa de comunicação, os três taikonautas – Nie Haisheng, Liu Boming e Tang Hongbo, os três astronautas da Shenzhou-12 – estão em boas condições e vão passar por uma quarentena de 14 dias pois “seus sistemas imunológicos podem estar enfraquecidos após a longa missão”.

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Os três astronautas da missão chinesa Shenzhou-12, da esquerda para a direita: Tang Hongbo, Nie Haisheng e Liu Boming
Os três astronautas da missão chinesa Shenzhou-12, da esquerda para a direita: Tang Hongbo, Nie Haisheng e Liu Boming (Imagem: CMSA/Divulgação)

O lançamento da missão Shenzhou-12 foi feito em 17 de junho de 2021, como parte de um extenso programa espacial da China, que também viu a entrega de um veículo de exploração terrestre – o rover Zhurong – em Marte. O mês de junho também coincidiu com as celebrações do aniversário de 100 anos do Partido Comunista que governa o país.

O objetivo primário da missão era o de posicionar e ajustar o primeiro módulo da estação espacial Tiangong, onde os astronautas chineses ficaram instalados durante todo esse tempo. O módulo – apelidado “Tianhe” – terá a companhia dos seus “irmãos”, os laboratórios de pesquisa Wentian e Mengtian, bem como diversas estruturas para armazenar painéis solares e portas de acoplagem e desembarque, até 2022.

Quando completa, a estação espacial Tiangong deve apresentar algo entre 80 e 100 toneladas (um quinto do que tem a Estação Espacial Internacional, ou “ISS”). Vale lembrar, porém, que ela compartilhará sua órbita com o telescópio espacial Xuntian, que a China pretende lançar em 2024.

“O sucesso desta missão pavimenta o caminho para futuras missões de rotina e a utilização completa da estação [espacial chinesa]”, disse Chen Lan, um analista independente a serviço da organização GoTaikonauts, especializada no programa espacial chinês. “É um passo importante para o início [das operações] da estação”.

O programa espacial chinês recebeu bilhões de dólares em investimentos do governo local em uma tentativa de ganhar terreno no setor já amplamente explorado, majoritariamente, pelos EUA (Nasa) e Rússia (Roscosmos). Há um teor de atrito entre todas essas partes, devido ao banimento imposto pelos EUA a astronautas chineses na ISS.

Vale lembrar, porém, que a ISS, lançada em novembro de 1998, está perto de ser aposentada, então a exploração e observação do espaço logo menos deve abrir uma lacuna que muitos países buscarão preencher.

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