O Observatório Chandra de Raios-X, ligado à Nasa, vem executando um projeto de sonorização de imagens, cujo resultado é – literalmente e figurativamente – música para os ouvidos. Basicamente, o time do observatório empregou softwares que convertem informações visuais em informações sonoras, extraindo sons de estrelas mortas (após um evento chamado “supernova”) e produzindo música com elas.

O material mais recente fez uso da supernova Tycho, divulgado pela agência espacial americana em vídeo no YouTube. E o resultado parece uma abertura de animação da Disney:

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Cientificamente falando, não existe som no espaço. Para o som “existir”, é necessária a vibração de átomos e moléculas por um meio físico, como ar ou água. Como o espaço é puro vácuo – ou seja, a ausência de oxigênio, então as vibrações não tem uma forma de vibrar.

Mas o mesmo não pode ser dito sobre imagens, e é justamente nisso que o projeto da Nasa se apóia: a supernova Tycho (B Cassiopeiae ou SN 1572)), por exemplo, é um dos oito eventos de explosão estelar visíveis a olho nu registrados na História, com sua primeira captura feita em 1572. O rastro visual que ela deixou é amplo e bastante estudado.

No programa do Observatório Chandra de Raios-X, o que foi feito foi o processamento desta imagem do centro para a borda. Posteriormente, essas informações são convertidas em sons, com as cores determinando as notas, enquanto os tons brancos determinam seu volume. Segundo uma postagem no blog da Nasa, os tons vermelhos são os mais graves, enquanto o violeta traz o som mais agudo.

Esse não é o primeiro projeto que consegue extrair som de um objeto no espaço. Também conduzido pelo time do Chandra (mas com dados públicos do telescópio espacial Hubble), o vídeo abaixo mostra um processamento de imagem-para-som da Westerlund 2, um pequeno aglomerado de estrelas aqui na Via Láctea, dentro da constelação Carina, a aproximados 20 mil anos-luz da Terra.

Neste caso, ao invés de seguir do centro para fora, o processamento de imagem e cores veio da esquerda para a direita. Aqui, as informações do Hubble são visualizadas como se fossem cordas, enquanto os dados do Chandra parecem sinos. É o posicionamento vertical desses elementos que determina o volume das notas.

Mas eles não pararam por aí: abaixo, temos mais um exemplo – um que entusiastas da astronomia vão reconhecer. Trata-se da M87 (ou Messier 87), possivelmente uma das mais conhecidas – e massivas – galáxias do universo local, a 4,9 mil anos-luz:

No centro da M87 há um buraco negro supermassivo – um dos primeiros exemplos do tipo a ser estudado pela Nasa -, cuja primeira imagem foi feita em 2017, com uma versão melhorada produzida em 2019. Os dados coletados desse buraco negro, inclusive, podem nos ajudar a identificar as forças por trás da origem dos quasares.

E é justamente esse buraco negro que você ouviu no vídeo abaixo.

“O buraco negro gigante da M87, e sua região próxima, vem sendo estudado por muitos anos, por uma variedade de telescópios, como o Chandra (em azul) e o VLA [Very Large Array, no México]”, diz trecho na postagem. “Esses dados mostram que o buraco negro expele jatos massivos de partículas energéticas que interagem com as nuvens de gás quente ao seu redor. Para transformar os raios-X e ondas de rádio em som, a imagem foi escaneada a partir das posições de um relógio, começando no que seriam as ‘três da manhã’ e seguindo em sentido horário, como se fosse um radar”.

Neste exemplo, segundo a Nasa, a luz mais distante do centro do “relógio” produz os sons mais agudos, ao passo que a luz mais brilhante tem mais volume. Isso porque as ondas de rádio têm um tom mais grave que os raios-X, de acordo com as frequências de cada um dentro do espectro eletromagnético.

Todo o projeto é parte do programa “Universo de Aprendizado” (Universe of Learning) da Nasa, que ambiciona incorporar o conteúdo de pesquisas da agência espacial de forma que ele seja recomendado para todas as idades.

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