Cientistas responsáveis pelo monitoramento do buraco na camada de ozônio afirmam que ele está “um pouco maior do que o normal”, tendo ultrapassado o tamanho da Antártica e superado as estimativas de crescimento para 2021. De acordo com o Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus, o aumento está em ritmo assustadoramente acelerado, levando o buraco a dimensões maiores do que em 75% das incidências na mesma temporada, desde 1979.

Com a função de proteger o planeta da radiação ultravioleta, o ozônio tem sua maior concentração de moléculas (cerca de 90%) localizada entre 20 e 35 km de altitude, na estratosfera.

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É possível acompanhar a evolução diária do buraco sobre a Antártica neste link.

Camada de ozônio tem buraco maior do que a Antártica e está entre os 25% mais extensos dos últimos 40 anos. Imagem: Nasa

Buraco da camada de ozônio de 2021 está entre os 25% maiores das últimas quatro décadas

Anualmente, um buraco se forma durante o final do inverno do hemisfério sul, à medida que o sol provoca reações que destroem a camada de ozônio, que envolvem formas quimicamente ativas de cloro e bromo derivadas de compostos emitidos pelo ser humano.

“Não podemos realmente dizer nesta fase como o buraco de ozônio irá evoluir. No entanto, o buraco deste ano é notavelmente semelhante ao de 2020, que estava entre os mais profundos e mais duradouros – fechou perto do Natal – em nossos registros desde 1979”, informou Vincent-Henri Peuch, diretor do serviço de monitoramento, em entrevista ao jornal The Guardian.

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Em 2020, ele chegou a atingir quase três vezes o tamanho dos EUA. “O buraco na camada de ozônio de 2021 está agora entre os 25% maiores em nossos registros desde então, mas o processo ainda está em andamento. Continuaremos monitorando seu desenvolvimento nas próximas semanas”, garantiu Peuch. “Um buraco de ozônio grande ou pequeno em um ano não significa necessariamente que o processo geral de recuperação não está ocorrendo conforme o esperado, mas pode sinalizar que atenção especial deve ser dada e a pesquisa pode ser direcionada para estudar as razões por trás de um buraco de ozônio específico evento”.

Danificação à camada de ozônio começou há cerca de 90 anos

Segundo estudos, o esgotamento da camada de ozônio é causado por gases de fabricação humana classificados como clorofluorocarbonetos (CFCs), que foram desenvolvidos pela primeira vez na década de 1930, para uso em sistemas de refrigeração e depois implantados como propelentes em latas de spray aerossol. 

Os produtos químicos são estáveis, por isso podem viajar da superfície da Terra para a estratosfera. E, só então, na altitude onde o ozônio estratosférico é encontrado, eles são quebrados pela radiação ultravioleta de alta energia. As reações químicas que se seguem destroem o ozônio. 

Chamados de halocarbonos, os CFCs foram proibidos em 197 países ao redor do mundo. Desde essa proibição, a camada de ozônio mostra sinais de recuperação, mas, segundo os cientistas, é um processo lento, e deve demorar até os anos 2060 ou 70 para uma eliminação completa das substâncias destruidoras. 

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