Um novo programa em testes pela Nasa vem usando a realidade aumentada (AR) para o reparo de equipamentos da Estação Espacial Internacional (ISS). Usando o HoloLens, o headset de realidade mista da Microsoft, a agência espacial americana vem experimentando a tecnologia com os astronautas da estação, no intuito de criar novas formas de comunicação que prometem ajudar em missões futuras em locais mais distantes do espaço.

Atualmente, as comunicações entre a Nasa e a ISS praticamente não têm atraso, considerando a posição da estação na órbita da Terra. Entretanto, com a chegada mais e mais iminente de missões que levarão o homem de volta à Lua (386 mil km de distância) e, eventualmente, Marte (394 milhões de km de distância), um medo é o de que as comunicações se tornem um tanto complicadas em momentos onde ela deve ser imediata.

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Imagem mostra o astronauta Soichi Noguchi usando a realidade aumentada para consertar equipamentos na ISS
O astronauta Soichi Noguchi, da Estação Espacial Internacional, usa um headset para consertar equipamentos por meio da realidade aumentada (Imagem: Nasa/divulgação)

Neste ponto, o “Projeto T2 de Realidade Aumentada” (“T2AR, na sigla em inglês), emprega tecnologias de AR para que os astronautas de uma determinada missão possam exercer funções de manutenção e monitoramento de equipamento sem a necessidade de auxílio em tempo real por parte das equipes remotas localizadas em bases na Terra.

Desde abril deste ano, o astronauta Soichi Noguchi – o inquilino japonês da ISS em nome da agência espacial japonesa (JAXA) – vem promovendo a manutenção e monitoramento de um equipamento essencial da ISS, a Esteira T2. O manual de instruções para essa atividade está disponível publicamente em formato PDF, mas convenhamos, imprimir um pedaço de papel para ser usado ao mesmo tempo em que se manipula ferramentas em um equipamento delicado – em gravidade zero, ainda por cima – pode ser algo bem complicado.

Nisso que entra o headset HoloLens: pelo seu uso – junto de um software de monitoramento e processos criado pela própria Nasa -, Noguchi é capaz de obter não apenas uma orientação passo-a-passo da manutenção da esteira, como tem à sua frente uma série de estímulos visuais que o ajudam a conduzir seu trabalho em tempo real, sem a necessidade de um papel, um monitor ou comunicação direta com o time de solo.

Os estímulos são apresentados como peças em 3D que guiam o olhar do usuário para os pontos necessários de atenção, seguindo as instruções verbais do próprio astronauta para navegar pelos procedimentos a serem executados. O mesmo sistema também oferece informações complementares, como vídeos com tutoriais e relatórios de status.

Realidade aumentada é parte essencial de um novo programa da Nasa que, se tudo der certo, deve integrar sistema de comunicação para missões humanas em Marte e na Lua
Visão de Noguchi durante o uso do HoloLens em conserto de equipamentos da ISS (Imagem: Nasa/divulgação)

Apesar dos testes se concentrarem na Esteira T2, a ideia é que a plataforma de AR seja usada em uma variedade de projeções e demandas, ampliando a eficiência da tripulação, bem como a precisão na execução de procedimentos de rotina.

Considerando as distâncias grandiosas da Terra para a Lua, ou Marte, é de se esperar que atrasos de comunicação aconteçam. Mas nas horas mais críticas, um sistema onde os astronautas sejam mais independentes pode vir bem a calhar.

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