Um buraco – não um buraco negro, mas um literal “buraco” – foi encontrado por especialistas do Museu Harvard-Smithsonian, nos EUA. A cavidade vazia no espaço foi apelidada de “Concha de Per-Tau” (Per-Tau Shell, no inglês) e está localizada há cerca de 700 anos-luz da Terra, posicionada entre as constelações de Perseu e de Touro, segundo um paper publicado pelos especialistas.

A descoberta vem mexendo com astrônomos profissionais pois, até o momento, a sua origem ainda não foi determinada, podendo vir de uma entre duas opções: uma supernova imensa, ou várias supernovas menores. Porque, assim como a série de filmes Velozes e Furiosos, tudo no espaço tem que envolver explosões.

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Renderização em 3D da "cavidade vazia no espaço" entre as nuvens cósmicas de Perseu e Touro
Modelo em 3D da região entre as nuvens de Perseu e Touro, mostrando um vazio considerável entre si (Imagem: Bialy et al., ApJL, 2021)

“Nós temos duas teorias”, disse Shmuel Bialy, astrofísico teórico do Smithsonian. “Ou Uma supernova explodiu no centro dessa bolha e empurrou todo o gás para fora, formando o que agora chamamos de ‘Superconcha Perseu-Touro’; ou uma série de pequenas supernovas ocorrendo ao longo de milhões de anos criou essa cavidade com o tempo”.

As constelações de Perseu e Touro contém, cada uma, nuvens de gás homônimas, de onde nascem várias estrelas. Entretanto, análises do posicionamento dessas nuvens mostram que elas não se movem “para dentro”, mas sim ficam mais ou menos fixas em um perímetro externo. Imagine que você derrame algo sobre uma bola, e o líquido escorre, mas para no meio da parte mais “gordinha”.

A fim de explorar a região, os especialistas usaram dados coletados pela missão Gaia, da agência espacial europeia (ESA). O observatório espacial que deu nome à missão é uma das ferramentas mais precisas do mundo no que tange ao mapeamento do espaço em três dimensões e está em pleno funcionamento desde 2013.

Esses dados foram inseridos em um programa chamado “cola” – assim mesmo, em grafia minúscula -, que permite aos seus usuários criarem visualizações interativas em 3D. Essa capacidade permitiu aos astrofísicos renderizarem as duas nuvens, se dando conta do imenso “nada” que havia entre elas.

“Já fazem décadas desde de que conseguimos ver essas nuvens, mas nunca soubemos seus reais formatos, profundidades e espessuras. Nós também nunca soubemos exatamente o quão longe essas nuvens estão”, disse Catherine Zucker, também do Harvard-Smithsonian. “Agora, nós sabemos onde elas se posicionam com 1% de incerteza, nos permitindo enxergar essa cavidade vazia entre elas”.

Em teoria, estrelas se formam quando uma parte mais densa de uma nuvem de moléculas gira até entrar em colapso pela sua própria gravidade. Quando a explosão de uma supernova – a morte de uma estrela, para os não iniciados – se expande no espaço em todas as direções ao seu redor, ela pode agarrar esses gases, formando novas nuvens densas que dão vida aos astros.

É isso que o time acha que aconteceu com a Concha de Per-Tau. De acordo com o paper, em algum momento entre 6 e 22 milhões de anos atrás, uma (imensa) ou várias (pequenas) supernova(s) abriram esse buraco no espaço, com a onda de choque capturando regiões densas de gás nos dois lados e formando – em suas bordas – as nuvens de Perseu e Touro.

“Isso demonstra que, quando uma estrela morre, a sua supernova desencadeia uma série de eventos que pode levar ao nascimento de outras estrelas”, disse Bialy.

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