Duas mulheres são as representantes do Brasil na FameLab Climate Change Communicators, uma competição mundial de comunicação científica organizada pelo British Council, organização internacional do Reino Unido para relações culturais e oportunidades educacionais. 

Em sua 15ª edição, o concurso é uma das atividades que integram o programa The Climate Connection (A Conexão do Clima, em tradução livre) na preparação para a COP26 – a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, que acontecerá no Reino Unido em novembro.

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O concurso FameLab Climate Change Communicators está na 15ª edição. Imagem: FameLab Climate Change Communicators – British Council

Ao todo, 23 países participam da competição, estando sete deles na final. Entre eles, o Brasil, com duas representantes: Emiliane Daher Pereira e Larissa Cunha Pinheiro. Elas estão entre os dez finalistas que irão se apresentar ao público, de forma online, na próxima terça-feira (28).

O vencedor (ou a vencedora – estamos torcendo por isso) será conhecido no dia 25 de novembro. Vale lembrar que nos sagramos vencedores no ano passado, com o projeto de Gabriela Ramos Leal.

Como funciona o FameLab Climate Change Communicators

Nessa competição, os participantes devem enviar um vídeo de até 3 minutos, por meio do qual explicam o conceito científico da sua pesquisa. Os vídeos não podem ter edição e os competidores não podem usar nenhum recurso ilustrativo, como apresentações em PowerPoint ou animações, por exemplo. 

Emiliane Daher Pereira, doutora em Ciência e Tecnologia de Polímeros , é uma das finalistas da competição. Imagem: Arquivo pessoal – Instagram

De acordo com Emiliane, as apresentações são avaliadas com base em 3 “Cs”, que se referem a: conteúdo, clareza e carisma. Assista aqui ao vídeo enviado por ela.

“Eu soube desta edição pois participei da etapa nacional do FameLab no ano passado, da qual também fui finalista, e como foi uma experiência incrível, por meio da qual conheci ótimos pesquisadores, com a edição sendo transmitida pela TV Cultura, continuei tendo contato com o British Council, já que gostaria de participar novamente”, relatou Emiliane em entrevista ao Olhar Digital, destacando que a edição de 2020 está disponível no YouTube. “Quando soube que este ano seria sobre o tema Mudanças Climáticas, que acho um assunto de extrema importância para a sociedade, fiquei ainda mais animada em participar”.

Emiliane é farmacêutica, com especialização em Farmácia Industrial pela Faculdade de Farmácia da UFRJ e mestrado e doutorado em Ciência e Tecnologia de Polímeros, pelo Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (IMA), da UFRJ. 

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Plásticos são inimigos do meio ambiente? 

Como mestre e doutora na área de polímeros, o trabalho de Emiliane é relacionado ao plástico, um dos maiores inimigos do meio ambiente. 

No entanto, ela diz que não é exatamente isso. “Os plásticos são vistos como grandes vilões do meio ambiente por causa, principalmente, do seu descarte inadequado. Porém, eu gostaria que as pessoas enxergassem que os grandes vilões dessa história não são os plásticos, mas sim nós, humanos, que descartamos de forma incorreta”, explica. 

Ela destaca que os plásticos trouxeram grandes avanços para a sociedade. “Na minha opinião, não conseguimos mais viver sem eles. A solução para tudo isso, eu apresento como sendo a ‘Economia Circular’, que é baseada no reuso e na reciclagem. Quanto mais reciclamos, mais estamos mantendo o meio ambiente sustentável para as gerações futuras, pois diminuímos as emissões de gases de efeito estufa que provocam a mudança climática global, já que a maior parte dos plásticos que usamos hoje em dia têm origem no petróleo”.

Segundo a pesquisadora, além de evitar a poluição dos centros urbanos e dos oceanos, “a reciclagem também agrega valor a algo que era considerado lixo, favorece uma atividade rentável gerando novos empregos e reduz a quantidade de resíduos enviados para aterros sanitários ou depósitos de lixo, prolongando a vida útil desses locais”.

Economia circular no combate às mudanças climáticas 

Mais do que ganhar a competição, Emiliane quer levar sua ideia ao máximo de pessoas possível, “e fazer com que as pessoas pensem sobre seu papel no combate às mudanças climáticas”.

“Eu já estou muito feliz em ser uma das finalistas em uma competição tão importante. Mas, claro, ficarei ainda mais feliz se for a vencedora, pois poderei levar a mensagem sobre o combate às mudanças climáticas para a grande final Internacional”, diz Emiliane, que tem um perfil no Instagram dedicado especialmente à divulgação científica.

Energia nuclear como alternativa para a produção de hidrogênio sem emissão de CO2

Engenheira química formada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a outra representante do Brasil, Larissa, é mestre em engenharia nuclear na área de reatores nucleares pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Programa de Engenharia Nuclear da COPPE/UFRJ) e doutoranda pelo mesmo programa, na área de análise de segurança.

Larissa Cunha Pinheiro também está representando o Brasil no FameLab Climate Change Communicators, abordando o tema energia nuclear. Imagem: Arquivo pessoal – Instagram

Seu trabalho consiste na proposta de utilização da energia nuclear como alternativa não somente como fonte de eletricidade limpa, como, também de produção de hidrogênio de forma sustentável. “Meu tema é que a energia nuclear não gera apenas eletricidade limpa, de forma resiliente, sem a intermitência que vemos nas renováveis (pegue o caso da crise hídrica: num mundo de incertezas climáticas, basear sua matriz elétrica numa energia que depende do clima pode ser perigoso), mas ela também é a única opção que temos hoje, em larga escala, para produzir tanto o calor para a indústria como para a produção de hidrogênio sem emissão de CO2”, explica Larissa.

Segundo ela, o hidrogênio é considerado o combustível do futuro. “Ele será utilizado tanto nos transportes como para produzir combustíveis sintéticos limpos e necessita de calor e/ou eletricidade para ser produzido. A energia nuclear é a melhor fonte atualmente para sua produção. Ao queimar hidrogênio, há apenas a liberação de água, nada de CO2”, diz a engenheira química. “Hoje, 99% do hidrogênio do mundo é de fonte fóssil, e é possível produzi-lo de fontes renováveis também, mas seu preço é elevado, e sua oferta acaba sendo também intermitente, prejudicando sua adoção na indústria”.

Larissa afirma que, atualmente, existe um enorme esforço da comunidade científica nuclear e de parte de ambientalistas para convencerem de que a nuclear é parte da solução climática, “e se ela for adotada como não apenas um meio de produção de eletricidade, como também de produção de calor, podemos melhorar nosso combate às mudancas climáticas”.

“Infelizmente, as previsões recentes acabam desconsiderando esse potencial e diminuindo nossas chances de limitar o aquecimento do planeta. Meu objetivo é conseguir comunicar isso para uma audiência fora da comunidade nuclear e aumentar o conhecimento das pessoas, para que elas possam fazer escolhas conscientes e exigir uma ação no sentido da descarbonização da energia que inclua a energia nuclear”, esclarece.

Larissa tem um canal no YouTube, o “Tome ciência!“, por meio do qual veicula vídeos sobre tecnologia, ciência e engenharia, sendo um “porto seguro contra desinformação”. No Instagram, sua página de divulgação cientifica conta com cerca de 1,4 mil seguidores.

O Olhar Digital deseja boa sorte às duas competidoras e estará na torcida para que uma delas traga essa vitória, mais uma vez, para o Brasil.

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