A crise de componentes e semicondutores provocada pela pandemia aumentou significativamente o preço dos carros no Brasil. Entre os cinco automóveis mais vendidos no país, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), três estão custando em torno de R$ 100 mil.

Até esta terça-feira (28), os cinco carros mais vendidos no Brasil, segundo a entidade, eram: Hyundai HB20, com 5.530 emplacamentos, à frente do Jeep Compass (5.514), Fiat Toro (5.258), Fiat Strada (4.943) e Volkswagen T-Cross (4.686). Destes cinco, apenas dois estão abaixo de R$ 100 mil: o HB20, cujo modelo mais barato parte dos R$ 59.290, e o Strada, que tem o modelo inicial em R$ 64.490.

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Para se ter uma ideia, o Jeep Compass, vice-líder na relação, possui o preço mais barato orçado em R$ 151.881 — no caso, a versão Sport e motor 1.3 turboflex. Já o Toro e o T-Cross custam, respectivamente, em suas versões mais acessíveis: R$ 128.990 e R$ 96.260.

O porquê dessa alta de preços se justifica por dois fatores: a pandemia e a crise de componentes e semicondutores que decorreu da crise sanitária. Por conta disso, várias montadoras, entre elas Toyota, Renault, Volkswagen e Hyundai, vêm interrompendo a produção de suas fábricas no mundo inteiro. No Brasil, houve os casos da Fiat, que suspendeu operações de segundo turno em Betim (a principal planta no país), e da própria Volks, que anunciou sua paralisação temporária em várias unidades em São Paulo e no Paraná.

Jeep Compass
Jeep Compass: segundo carro mais vendido no Brasil não sai por menos de R$ 151 mil (Jeep/Divulgação)

Preços inflacionados afastam população com menor renda

Num cenário de contenção de custos, as fábricas transferiram, como consequência, seus esforços para carros com maior valor de venda e margem de lucro, como SUVs, em vez de hatches ou sedãs populares. Com isso, o valor dos automóveis subiu e, consequentemente, afastou a população com renda baixa dos automóveis zero km.

“Como a pandemia atingiu mais a parte da população com renda baixa, que muitas vezes financia a maior parte ou o carro todo, sendo sempre os modelos de entrada, é nessa parte que as vendas caíram mais”, explicou o diretor da ADK Automotive, Paulo Roberto Garbossa, em entrevista ao UOL.

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Além disso, a situação complica porque carros menores também não estão tão acessíveis. Modelos compactos como o Renault Kwid, por exemplo, já partem de R$ 50 mil. Neste sentido, trata-se de um cenário completamente diferente do que acontecia dez anos atrás, quando modelos zero km como o Chevrolet Celta saíam por menos de R$ 25 mil.

“A insegurança desse consumidor de carros compactos, que não tem opções, vê os modelos cada vez mais caros sem que seu poder de compra tenha acompanhado os aumentos, o afasta da compra”, explica Garbossa, que cita ainda a falta de crédito a pessoas com uma renda menor que R$ 10 mil como outro fator de decréscimo nas compras.

Ao mesmo tempo, cresceu a demanda por modelos usados, a ponto de alguns desses serem vendidos até por valores maiores do que um zero km — um fenômeno bastante incomum, diga-se de passagem.

De acordo com a Kelley Blue Book, empresa especializada em precificação no setor automotivo, os efeitos da pandemia de covid-19 na cadeia de produção vêm provocando “descompasso praticamente generalizado na oferta de automóveis nas concessionárias”.

Via UOL

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