Descoberta há 357 anos, a Grande Mancha Vermelha de Júpiter é um poderoso furacão que abre um redemoinho na alta atmosfera do planeta e expõe camadas inferiores de suas nuvens, com composições químicas e temperaturas diferentes, que resultam na sua cor característica. 

Segundo pesquisas, a base desse furacão está em torno de 1,2 mil km abaixo da superfície visível das nuvens, o que corresponde a mais ou menos 100 vezes mais distância do que o mais profundo que se pode chegar em um oceano na Terra.

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Telescópio espacial Hubble é o único que possui o tipo de cobertura temporal e resolução espacial capaz de capturar os ventos de Júpiter com tantos detalhes. Imagem: AleksandrMorrisovich – Shutterstock

Agora, o telescópio espacial Hubble apresentou novos relatórios que indicam que a velocidade média do vento apenas dentro dos limites do furacão, área conhecida como anel de alta velocidade, aumentou em até 8% entre 2009 e 2020. Por outro lado, os ventos da região mais interna da Mancha Vermelha estão se movendo significativamente mais devagar.

De acordo com levantamentos constantes do Hubble, as nuvens coloridas da enorme tempestade giram no sentido anti-horário a velocidades que excedem 640 quilômetros por hora – e o vórtice é maior do que a própria Terra. 

Hubble é instrumento mais eficaz para estudar a Grande Mancha Vermelha de Júpiter

“Quando inicialmente vi os resultados, perguntei ‘Isso faz sentido?’ Ninguém nunca viu isso antes” , disse Michael Wong, da Universidade da Califórnia, que liderou a análise. “Mas isso é algo que apenas Hubble pode fazer. A longevidade de Hubble e as observações em andamento tornam essa revelação possível”.

Capturas da Grande Mancha Vermelha de Júpiter feitas pelo Hubble. Imagem: Equipe do Hubble Heritage (STScI / AURA / NASA / ESA ) e Amy Simon (Cornell U.)

Os satélites e aviões que orbitam a Terra rastreiam as principais tempestades em tempo real. “Como não temos um avião caçador de tempestades em Júpiter, não podemos medir continuamente os ventos no local” , explicou Amy Simon, cientista do Goddard Space Flight Center da Nasa que contribuiu com a pesquisa. “O Hubble é o único telescópio que possui o tipo de cobertura temporal e resolução espacial capaz de capturar os ventos de Júpiter com tantos detalhes”.

A mudança na velocidade do vento apontada pelo telescópio chega a menos de 2,5 quilômetros por hora por ano terrestre. “Estamos falando de uma mudança tão pequena que se não tivéssemos onze anos de dados do Hubble, não saberíamos que isso aconteceu”, disse Simon. “Com o Hubble, temos a precisão de que necessitamos para detectar uma tendência”.

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Com o monitoramento contínuo do Hubble é possível que os pesquisadores revisitem e analisem seus dados com muita precisão à medida que vão acrescentando informações. 

Para analisar melhor a abundância de dados de Hubble, Wong fez uma nova abordagem para sua análise de dados. Ele usou um software para rastrear dezenas a centenas de milhares de vetores de vento (direções e velocidades) cada vez que o planeta era observado pelo Hubble. 

Mas, o que significa esse aumento de velocidade? 

Segundo Wong, “isso é difícil de diagnosticar, já que o Hubble não consegue ver o fundo da tempestade muito bem”.

“Qualquer coisa abaixo do topo das nuvens é invisível aos dados, mas é uma peça interessante do quebra-cabeça que pode nos ajudar a entender o que está alimentando a Grande Mancha Vermelha e como está mantendo sua energia”, revelou Wong, afirmando que ainda há muito trabalho a ser feito para entendê-la completamente.

Astrônomos têm buscado estudos contínuos sobre o “rei” das tempestades do Sistema Solar desde a década de 1870. 

De acordo com essa série de estudos, a Grande Mancha Vermelha é uma ressurgência de material do interior de Júpiter. Se vista de lado, a tempestade teria uma estrutura de bolo de casamento em camadas com nuvens altas no centro caindo em cascata para as camadas externas.

Pelas observações ao longo de mais de um século, é possível notar  que ele está diminuindo de tamanho e se tornando mais circular do que oval. O diâmetro atual tem 16 mil km de diâmetro, o que significa que ainda é maior do que a Terra.

Além de observar essa tempestade lendária e de longa duração, os pesquisadores observaram tempestades em outros planetas, incluindo Netuno, onde os eventos tendem a viajar pela superfície do planeta e desaparecer depois de alguns anos. 

Pesquisas como essa ajudam os cientistas não apenas a aprender sobre os planetas individuais, mas também a tirar conclusões sobre a física subjacente que impulsiona e mantém as tempestades dos planetas de uma forma geral.

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