Uma equipe de pesquisadores usou gálio líquido para criar um revestimento antiviral e antibacteriano que foi testado uma variedade de tecidos, incluindo máscaras faciais. O revestimento teve maior adesão do que alguns revestimentos de metal convencionais e erradicou 99% de vários patógenos comuns em cinco minutos, segundo os cientistas.

Tecido revestido com metal líquido pode ser usado na fabricação de máscaras faciais. Imagem: TextureWorld – Shutterstock

“Os micróbios podem sobreviver por muito tempo com os tecidos que os hospitais usam para roupas de cama, vestimentas e máscaras faciais”, declarou Michael Dickey, coautor do trabalho e professor de engenharia química e biomolecular na Universidade Estadual da Carolina do Norte (NCSU). “Os revestimentos de superfície metálica, como cobre ou prata, são uma forma eficaz de erradicar esses patógenos, mas muitas tecnologias de revestimento de partículas de metal têm problemas como não uniformidade, complexidade de processamento ou adesão fraca”, explicou.

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Além de Dickey e alguns colegas da NCSU, pesquisadores da Universidade Sungkyunkwan (SKKU), na Coreia do Sul, e da Universidade RMIT, na Austrália, decidiram desenvolver uma maneira simples e econômica de depositar revestimentos de metal no tecido.

Como foram feitos os experimentos da pesquisa

Conforme explica o site Phys, primeiro, colocaram gálio líquido (Ga) em uma solução de etanol e ondas sonoras – um processo conhecido como sonicação – para criar nanopartículas de Ga. A solução de nanopartículas foi então revestida por spray no tecido e o Ga aderiu às fibras conforme o etanol evaporou.

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Em seguida, eles mergulharam o tecido revestido de Ga em uma solução de sulfato de cobre, criando uma reação de substituição galvânica espontânea. A reação deposita cobre no tecido, criando um revestimento de nanopartículas de liga de cobre de metal líquido.

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Para testar as propriedades antimicrobianas do tecido revestido, a equipe de pesquisa expôs o material a três micróbios comuns: Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Candida albicans. 

Esses micróbios crescem agressivamente em tecidos não revestidos. Como resultado, o tecido revestido com liga de cobre erradicou mais de 99% dos patógenos em cinco minutos, o que foi significativamente mais eficaz do que as amostras de controle revestidas apenas com cobre.

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Tecido revestido com metal líquido também tem capacidade antiviral

Elisa Crisci, professora assistente de virologia, e Frank Scholle, professor associado de ciências biológicas, ambos da NCSU, ajudaram a mostrar que os revestimentos também funcionam contra os vírus. 

Os revestimentos foram testados contra influenza humana (H1N1) e o coronavírus HCoV 229E (que é da mesma família do SARS-CoV-2). Os revestimentos também erradicaram os vírus após cinco minutos.

“Nossos testes indicam que esses tecidos revestidos de cobre e metal líquido demonstram desempenho antimicrobiano superior em comparação com outras superfícies revestidas com cobre e duas máscaras antimicrobianas comerciais que dependem de cobre e prata, respectivamente”, disse Vi Khanh Truong, vice-chanceler do pós-doutorado da Universidade RMIT e coautor correspondente da pesquisa.

“Esse é um método melhor para gerar revestimentos metálicos de tecidos, particularmente para aplicações antimicrobianas, tanto em termos de adesão quanto de desempenho antimicrobiano”, declarou Ki Yoon Kwon, associado de pós-doutorado na SKKU e autor principal do trabalho.

De acordo com Tae-il Kim, co-autor da pesquisa e professor da SKKU, também pode funcionar com outros metais além do cobre, como a prata. “É um método simples, que deve ser relativamente direto para aumentar a escala para a produção em massa”.
A pesquisa foi publicada no Advanced Materials e é apoiada pela Fundação Nacional de Pesquisas da Coreia do Sul.

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