Medicina e Saúde

Pesquisadores criam sistema para descobrir quais doenças animais ainda infectarão humanos

29/09/21 14h22, atualizada em 29/09/21 18h29
Morcego viando

Imagem: Shutterstock

A chegada da Covid-19 despertou na comunidade científica a curiosidade de saber qual a possibilidade de novas infeções do reino animal contaminar humanos. Isso ocorre devido teorias de que o coronavírus se originou de um morcego contaminado a partir de um acidente de laboratório, na China, onde a pandemia começou.

Nesta linha, no Reino Unido, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Glasgow criou um sistema com base em inteligência artificial (IA) para tentar desvendar quais doenças animais ainda poderão assolar o sistema imunológico dos humanos no futuro.

Doenças que afetam humanos e animais são chamadas de “zoonóticas” ou “zoonoses”. De acordo com o TNW Notícias, dos estimados 1,67 milhão de possíveis vírus animais, apenas uma pequena fração pode acometer a humanidade, no entanto, a sondagem proposta é bem difícil e minuciosa, mesmo com milhões de anos de evolução do sistema imunológico, um problema que a equipe de Glasgow se propôs a resolver.

Com ajuda de IA, pesquisadores podem descobrir quais doenças animais ainda infectarão os humanos. Crédito: Shutterstock

“Dado o uso crescente da genômica na descoberta de vírus e o conhecimento escasso da biologia de vírus recém-descobertos, desenvolvemos modelos de aprendizado de máquina que identificam zoonoses candidatas usando apenas assinaturas de gama de hospedeiros codificadas em genomas virais”, explica um trecho do estudo.

Segundo o grupo, foram reunidos dados de mais de 800 vírus conhecidos por terem qualidades zoonóticas e treinaram um sistema de IA para interpretar suas estruturas genômicas únicas. Em comunicado à imprensa, os pesquisadores anunciaram que a tecnologia foi capaz de identificar ameaças potenciais, medida que pode evitar uma epidemia completa.

“Os pesquisadores descobriram que os genomas virais podem ter características generalizáveis ​​que são independentes das relações taxonômicas do vírus e podem pré-adaptar os vírus para infectar humanos. Eles foram capazes de desenvolver modelos de aprendizado de máquina capazes de identificar zoonoses candidatas usando genomas virais”, diz o comunicado.

A pesquisa foi publicada no Plos Biology e, ainda ressaltou que, se o método existisse quando a Covid-19 começou, ele teria a identificado, bem como seu potencial para variantes.

“Uma segunda aplicação mostrou que nossos modelos poderiam ter identificado a Síndrome Respiratória Aguda Grave Coronavírus 2 (SARS-CoV-2) como uma cepa de coronavírus de risco relativamente alto e que essa previsão não exigia nenhum conhecimento prévio da Síndrome Respiratória Aguda Grave zoonótica (SARS) relacionada coronavírus”, explana a pesquisa.

Para os especialistas, “a avaliação de risco zoonótico baseada em genoma fornece uma abordagem rápida e de baixo custo para permitir a vigilância de diversos vírus”, o que pode ser de extrema importância, principalmente agora, para a saúde pública mundial.

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O salto da IA com a chegada da Covid

A inteligência artificial (IA), bem como todo o leque de tecnologias, tem sido uma das protagonistas no mercado de saúde, financeiro e empresarial após a chegada da pandemia.

Com base no levantamento de tecnologia bancária 2021 (ano-base 2020) da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as instituições financeiras investiram R$ 25,7 bilhões em tecnologia no ano passado — alta de 8% em comparação com os aportes feitos no ano anterior (R$ 23,9 bilhões).

Com esse aumento, o setor bancário tornou-se o segundo maior investidor em tecnologia no Brasil (14%), atrás apenas dos governos (15%).

De acordo com os 21 bancos que participaram do levantamento da Febraban, os investimentos tiveram como prioridade a inteligência artificial (IA), segurança cibernética e o trabalho remoto, este último, amplamente difundido por conta da pandemia de coronavírus.

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