Mais um para a conta, e mais um passo em direção ao primeiro voo orbital: a Starship 20, protótipo mais recente da espaçonave da SpaceX, foi aprovada em teste criogênico de resistência, que viu a espaçonave receber quantidades copiosas de nitrogênio líquido a fim de simular a temperatura de seu combustível – uma mistura líquida de oxigênio e nitrogênio. A prova foi conduzida no último dia 30 de setembro.

“Foi bem na prova”, disse o CEO e fundador da SpaceX, Elon Musk, logo após a notícia de que tudo correu conforme o planejado. Alguns dias depois, o NASASpaceFlight publicou algumas imagens da estrutura de testes, bem como um vídeo em time lapse do teste em si.

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Embora pequeno frente a outras avaliações, o teste serviu para colocar à prova as capacidades térmicas da Starship, que além do teste criogênico, também enfrentará outras análises de temperatura – sobretudo no calor, o outro extremo – ainda em 2021. Tudo isso com o objetivo de comprovar que ela é capaz de ir e voltar de viagens à órbita da Terra.

Basicamente, o objetivo é posicionar a Starship e o foguete propulsor Super Heavy em lançamento, levando-o à órbita da Terra e fazendo-os voltar, mostrando a capacidade de reutilização da SpaceX. A Starship é a nave comercial privada que tem a preferência da Nasa na condução do Projeto Artemis, que promete levar o homem de volta à Lua até 2025.

O retorno, porém, se provará mais complicado do que a partida: uma vez lá em cima, a Starship 20 será sujeita ao processo de reentrada atmosférica, que aumentará a temperatura sobre a nave em muitos e muitos graus. Segundo a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), isso pode chegar próximo de 1.500ºC – uma temperatura forte o suficiente para fazer um corpo humano entrar em combustão espontânea, fervendo os fluidos corporais internos.

Não apenas a nave deverá resistir a isso, como deverá fazê-lo com seus sistemas em integridade suficiente para o que vem depois: uma queda livre com a “barriga” para baixo, com controles aviônicos assegurando o funcionamento dos flaps (as “barbatanas” do corpo da nave) para manter o transporte mais ou menos equilibrado.

No meio dessa queda, os propulsores da nave (Raptors) serão reacionados em ré, desacelerando a queda da Starship 20 para que ela seja “pescada” pelo Mechazilla, o conjunto de braços robóticos imensos desenvolvidos pela SpaceX e posicionados em uma base de pouso autônoma em alto mar.

Nesse ponto, os flaps mencionados acima terão extrema importância: eles não são projetados para gerar empuxo, então eles não farão a Starship 20 subir. Entretanto, eles funcionam como o controle de giro durante a queda livre, impedindo que a nave entre em espiral e perca o controle. Comparativamente, os flaps têm a mesma função que os braços e pernas de um paraquedista em queda livre, antes de ele abrir o paraquedas.

Em outra parte do vídeo acima, vemos que a Starship perdeu algumas placas de metal com o teste criogênico. Essas peças são produzidas e trocadas à mão a cada novo teste da nave.

Ainda não há uma data marcada para o lançamento da Starship 20, mas Elon Musk espera que isso aconteça ainda em 2021.

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