Por mais comuns que elas já sejam, nem todo consumidor consegue pagar o valor de uma Smart TV. Entretanto, essas pessoas não precisam necessariamente ficar de fora da comodidade de se ter em casa um televisor com acesso à instalação de aplicativos. É nesse meio que as fabricantes criaram a “TV Box”, também conhecida como “Set Up Box”, dependendo de quem a vende.

Há toda uma discussão quanto à legalidade desses produtos – muito disso, debatendo sobre ser ou não uma forma de pirataria. A boa notícia é que, por si só, uma TV Box não é ilegal (desde que, claro, revisada e homologada pela Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel -, mas isso é outro assunto).

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TV Box é uma ótima opção para quem não tem uma smart tv
O mercado mundial dos aparelhos conhecidos como “TV Box” tem expectativa de faturamento de US$ 23,5 bilhões em 2021, com estimativa de crescimento para US$ 29,24 bilhões até 2029, segundo a GrandView Research (Imagem: EKKAPHAN CHIMPALEE/Shutterstock)

O que é TV Box?

A graça de uma TV Box é, em termos bem resumidos, pegar uma TV que não é “smart”, e transformá-la em um aparelho mais inteligente. A forma como ela faz isso também é simples de se entender: a caixinha vem com um sistema operacional embarcado, que oferece suporte a aplicativos que, normalmente, você não teria acesso na sua TV mais antiga.

Em alguns casos, porém, a experiência de uma TV Box pode ser até mais interessante do que a de uma Smart TV com sistema nativo – já que boa parte das fabricantes tende a apostar em sistemas relativamente fechados (vide o WebOS, que muita gente não é fã), o que acaba impactando a experiência do usuário.

O bom de se contar com uma TV Box é o fato de que você não precisa de muito conhecimento técnico para usá-la: se você tem o hábito de navegar por aplicativos, brincar com as funções do seu smartphone ou tablet, então já tem uma boa noção de como funciona esse tipo de aparelho – é quase a mesma coisa, só que com um controle remoto ao invés dos seus dedos.

O que você precisa se preocupar é: uma conexão à internet constante e de boa velocidade (há quem fale em conexões de 120 Mbps ou além, mas não existe um consenso quanto a isso – e essa velocidade provavelmente se refere mais à resolução 4K de vídeo, algo que nem toda TV Box consegue atingir e as que conseguem são relativamente caras). Mas você não necessariamente precisa de uma conexão cabeada – o que é ótimo se você quer o ambiente próximo à TV mais organizado -, funcionando também via Wi-Fi.

Ah, sim. E contas válidas dentro desses apps de entretenimento: Netflix, Apple TV+, Amazon Prime Video, Disney+… Todos esses funcionam por modelo de assinatura mensal, então você precisará adquirir os serviços referidos além da TV Box, ok?

TV Box não precisa de internet cabeada para funcionar
A conexão à internet é obrigatória para quem quer fazer o uso de uma TV Box, mas a velocidade pode variar de acordo com a resolução desejada – e serve tanto para conexões cabeadas como para o wi-fi. Imagem: Jacomo / Shutterstock

Quanto ao restante, é literalmente uma questão de encontrar uma tomada livre e deixar o aparelho em um ambiente relativamente aberto: evite deixar a sua TV Box em uma estante dividida com muitos outros objetos, como abajures, potes decorativos e afins. Isso não se aplica a todos os modelos, mas alguns controles remotos usam tecnologia infravermelha, que pode passar por refração – uma espécie de “desvio” da luz – emitida pelo controle em direção ao aparelho.

Abaixo, o Olhar Digital listou algumas das marcas mais conhecidas do mercado, para ajudar você a escolher a sua, caso esteja procurando um produto do tipo. Vale lembrar que a relação abaixo não faz uma análise de “pior” ou “melhor”, mas tivemos o cuidado de listar algumas vantagens que umas têm sobre as outras.

Qual o melhor TV Box? Confira algumas opções!

Apple TV (HD/4K)

Começando com o item mais premium da nossa lista, a Apple TV (não confundir com o serviço de streaming Apple TV+) vem em duas resoluções distintas – 4K e HD – e uma série de recursos exclusivos inerentes a quem já conhece o formato dos produtos feitos pela “Maçã” de Cupertino.

A Apple TV conta com 32 GB a 64 GB de armazenamento interno e, dependendo da versão suporte à tecnologia sonora Dolby Atmos, para uma sensação maior de imersão que, segundo a Apple, é comparável a estar em uma sala de cinema.

O produto vem com um controle remoto dedicado que lhe permite, além da seleção de aplicações, executar comandos de voz com a assistente virtual Siri e, caso você tenha um iPhone, iPad ou computador macOS, fazer com todos esses dispositivos interajam entre si em um ecossistema de entretenimento totalmente dedicado: está no trânsito e viu uma série que lhe deixou curioso? Basta marcá-la pelo seu celular para assistir depois, selecionando a mesma marcação pela Apple TV.

De fábrica, o brinquedo vem com apps como Netflix, Disney+, Amazon Prime Video e (óbvio!) Apple TV+, mas a loja virtual – uma versão dedicada da App Store – conta com outras opções de acordo com a disponibilidade dos serviços.

E onde dói? Bom, assim como a qualidade do dispositivo segue o “padrão Apple”, o preço também vai por essa linha: segundo o site oficial da fabricante, o modelo mais barato – Apple TV HD – sai por R$ 1999, ao passo que o Apple TV 4K tem preços de R$ 2399 (32 GB) e 2599 (64 GB). Com esses valores, é possível encontrar uma Smart TV razoável com todos esses serviços.

Imagem mostra a Apple TV, junto de seu controle remoto. Aparelho é o mais caro TV Box do mercado
A Apple TV é a TV Box mais premium do mercado na atualidade, oferecendo uma gama considerável de serviços, interoperabilidade com dispositivos da Apple e também o maior preço (Imagem: Apple/Divulgação)

Google Chromecast

Possivelmente um dos mais conhecidos dispositivos “TV Box” (ainda que o formato dele não seja exatamente o de uma caixa) de que se tem notícia, o Chromecast é uma das escolhas mais populares para quem quer aliar funções de uma Smart TV em um televisor de tela plana sem funções inteligentes.

A versão mais recente disponível no Brasil é distribuída por varejistas parceiros do Google (veja a lista aqui) e, embora ofereça vantagens bastante similares ao Apple TV, como a interação direta com smartphones e tablets com Android, ele tende a ser mais aberto já que, segundo o Statista, mais de 80% do mercado nacional usa o sistema da empresa de Mountain View.

Mais além, o Google conta com a linha de produtos smart home Nest, que vão desde campainhas e lâmpadas até, veja só, sistemas de entretenimento, como alto-falantes externos. Todos eles conversam com o Chromecast via Google Assistente.

O lado negativo da coisa é que, tecnicamente, o Chromecast não é uma “caixa de TV”, mas sim um espelhamento nativo de um smartphone Android. Existe um “Chromecast 4” nos EUA, que corresponde a um sistema equipado apropriadamente com Android TV, mas que não está disponível no Brasil. Aqui, estamos na terceira geração do produto, que vai de R$ 250 a R$ 400, dependendo do modelo e do varejista.

Imagem mostra o Chromecast, do Google, em um fundo branco
O Chromecast, do Google, é um dos aparelhos mais populares para oferecer funções inteligentes a televisores que não são smart. Entretanto, ele requer um smartphone para funcionar plenamente, fazendo com que alguns o tirem da categoria de TV Box (Imagem: Google/Divulgação)

Amazon Fire Stick Lite

Outro produto bastante popular no setor é o Fire Stick Lite, da Amazon. Essa pequena TV Box pode até ter “Lite” no nome, mas acredite quando dizemos: ela bate de frente com as principais opções do mercado com muita maestria.

Para começar, o produto ganhou uma repaginada que foi desde o design de seu corpo, agora mais arrojado e fácil de encaixar na TV; até o seu sistema operacional, que agora tem uma navegação mais fluida e responsividade mais rápida com o controle. Além disso, finalmente chegou o suporte à popular assistente virtual Alexa, que permite a inserção de comandos de voz e evita que você tenha que buscar sua série favorita ao digitar letra por letra no teclado virtual.

Dotado de 8 GB de armazenamento interno e com apps como Netflix, Amazon Prime Video, Telecine Play, Vix, Disney+ e até o esportivo DAZN pré-instalados de fábrica, essa TV Box da Amazon consegue oferecer as melhores opções de entretenimento e, mais além, facilita muito o seu bolso em eventos como o “Prime Day”, que a empresa promove todo ano com descontos imensos.

O problema: se você é fã da resolução 4K, então esse produto não será para você, já que o Amazon Fire Stick Lite não passa do Full HD (1080p). Ah, e o controle dele não vem com funções de TV, somente volume, avançar ou retroceder programas e episódios e similares. Funções mais avançadas são encontradas apenas no Amazon FireTV Stick 4K.

Você pode encontrar esse produto no próprio site da Amazon, a preços a partir de R$ 249. Para a versão 4K com som Dolby Atmos, o preço sobre para R$ 449.

Foto promocional mostra o Fire Stick Lite, a TV Box da Amazon
O Fire Stick Lite, da Amazon, é uma das principais opções de funções inteligentes para televisores antigos, brigando de igual para igual com a Apple e o Google e contando com ofertas exclusivas vindas da gigante varejista que o produz (Imagem: Amazon/Divulgação)

Mi TV Box S

A Xiaomi tomou o Brasil pela preferência de produtos eletrônicos com funções premium e preços intermediários. A chinesa fez isso para os smartphones, e não seria diferente com sua TV Box: a Mi TV Box S traz praticamente todas as opções pagas e gratuitas de entretenimento em um só lugar, desde YouTube até DAZN e Telecine Play, em um pacote que oferece também resolução 4K, 60 quadros por segundo de reprodução contínua e tecnologia de som áudio Dolby DTS.

No que tange a sistema, a Mi TV Box S ela roda a versão 8.1 do Android (“Oreo”, para os esfomeados) de forma nativa, evitando o espelhamento de um smartphone e, assim, tornando a navegação mais fluida, já que é otimizada para o uso em televisores.

Por isso, você consegue tirar mais proveito do suporte ao controle de voz via Google Assistente, evitando que você precise usar o teclado virtual. Além disso, por ser Android, existe alguma operabilidade com produtos de casa inteligente, mas não de forma plena como seria, por exemplo, com o Chromecast.

Hoje, você consegue adquirir uma Mi TV Box S por preços a partir de R$ 585, mas se você quiser uma opção mais barata (e topa sacrificar algumas funções mais poderosas), pode buscar o Mi TV Stick, que oferece resolução máxima Full HD, som estéreo e preços a partir de R$ 315.

Foto mostra a MiTV Box S, da Xiaomi
A MiTV Box S, da Xiaomi, oferece boa navegação graças a um sistema operacional otimizado, além de boas opções de entretenimento (Imagem: Xiaomi/Divulgação)

Roku Express

Possivelmente a mais nova e, dependendo para quem você perguntar, a menos conhecida TV Box disponível no Brasil, a Roku Express quer reproduzir por aqui a fama que a tornou uma das principais escolhas dos consumidores dos Estados Unidos. Aqui, temos uma das opções mais completas de variedade de entretenimento, graças à política da empresa de apostar em licenciamentos de outras marcas, reunindo todas em um só lugar.

No site oficial da plataforma em português (PT-Br), contamos várias opções distintas de entretenimento (Telecine, Runtime, Belas Artes A La Carte, PlutoTV, Apple TV+, HBO Max, DirecTv Go, Disney+, Globoplay, Netflix, Amazon Prime Video, Funimation, uma porção de canais religiosos, pelo menos uma opção “semiadulta” e até alguns jogos casuais), e a empresa está sempre adicionando novas parcerias.

Pense assim: sabe aquela novela turca que a sua mãe encontrou na internet e se interessou? Você não vai achá-la na Apple TV, mas é bem provável que a Roku Express tenha ou, pelo menos, está em vias de ter, já que a empresa mantém um app próprio – o Canal da Roku – onde divulga suas novidades,

Evidentemente, há alguns contras: o controle da Roku é bastante limitado às funções de base (avançar, retroceder e volume), o que faz com que você ainda precise de um controle dedicado para a TV. Além disso, não há suporte à resolução 4K, comandos de voz ou interações com outros dispositivos e sistemas.

Entretanto, o preço é bastante acomodativo ao bolso, ficando em uma média entre R$ 200 (varejistas autônomos no Mercado Livre e afins) a R$ 350 (loja oficial no Brasil).

Foto mostra a Roku Express, a set top box da Roku
A Roku Express é pequena de tamanho, mas traz uma das maiores – se não a maior – variedade de canais e plataformas de entretenimento. Isso, porém, se você conseguir ignorar o fato de que ela não chega à resolução 4K (Imagem: Roku/Divulgação)

Menções honrosas

Aquario STV-2000 e Intelbras IZY Play

As duas marcas brasileiras não estão, nem de perto, em comparação com os outros modelos citados acima, mas são bastante populares por serem opções mais alinhadas ao mercado de TV brasileiro, e os preços mais razoáveis.

No caso da Aquario, o hardware tem baixos números – apenas 1 GB de memória RAM, mas 8 GB de armazenamento interno. O interessante é que essa TV Box vem com a Play Store instalada, o que lhe permite baixar aplicativos extras no aparelho. Entretanto, há alguns percalços: ao contrário das outras opções daqui, a STV-2000 é uma versão espelhada do Android Nougat para TVs, ou seja, copia algumas funções normalmente vistas em smartphones, o que gera algumas inconsistências com certos apps populares, como Netflix e YouTube, onde ela apresenta mais erros.

Esse problema não se vê na IZY Play, a TV Box da Intelbras. Também popularesco e voltado a um público mais abrangente, esse modelo vem com o Android TV embarcado, tornando a navegação e execução de funções mais fluida e simples. Além disso, seu controle tem suporte à tecnologia Bluetooth e conectividade com dispositivos inteligentes, como lâmpadas e sons automatizados. Ah, e é uma das poucas opções do mercado com saídas de áudio e vídeo (A/V) para quem não tem nenhum acesso via cabo HDMI, o que expande a lista de possíveis televisores com o serviço, que contempla também modelos ainda mais antigos.

A Aquario STV-2000 sai por R$ 285 na loja oficial, enquanto a Intelbras IZY Play fica por R$ 399,90, também na loja própria.

Imagens mostram as tv boxes da Aquario e da Intelbras
Dois exemplares nacionais do mercado de TV Box, a STV-2000 (Aquario) e a IZY Play (Intelbras) são opções baratas que, apesar das ressalvas, conseguiram boa popularidade com o público (Imagem: Aquario/Intelbras/Divulgação)

É crime usar TV box?

A lista acima contempla modelos que são homologados pela Anatel e trabalham apenas na função básica de uma TV Box: adicionar funções inteligentes a modelos de televisores mais antigos. Como dissemos no começo deste texto, isso não torna nenhuma TV Box inerentemente “ilegal”.

Entretanto, a forma como você usa esse produto pode colocar você em execução criminosa – ou seja, pirataria. Isso porque, apesar de listarmos apenas sete dos principais modelos disponíveis no Brasil, uma busca rápida na internet mostrará centenas de outros modelos – alguns, de empresas que sequer atuam aqui em caráter oficial.

E é aí que mora o perigo: geralmente, esses outros produtos chegam aqui por atravessadores de carga ou outros tipos de importadores, que os recebem e promovem alterações de sistema para fazer rodar, por exemplo, canais por assinatura a cabo de forma aberta, seja por abertura de sinal de satélite ou algum link que transmite a programação paga via streaming.

Esses produtos são conhecidos como “IPTV” e, embora este seja um nome que remete, oficialmente, a um mercado legalizado, criminosos conseguiram se apossar dele para veicular seus produtos pirateados.

Foto divulgada pela Polícia Civil de São Paulo mostra diversas TV Boxes apreendidas por crime de pirataria
Apesar de os aparelhos serem legalizados, a forma como eles são adulterados eletronicamente por alguns fornecedores pode fazer com que vendedores e compradores incorram em crime de pirataria (Imagem: Polícia Civil-SP/Divulgação)

Segundo dados da Associação Brasileira de TVs por Assinatura (ABTA), cerca de 33 milhões de pessoas fazem uso das IPTVs ilegais. A prática infringe, entre diversas outras leis, a dos direitos autorais (9610/1998) e a Lei Geral de Telecomunicações (9.472/1997). E esse tipo de penalização pode impactar quem vende – e também quem compra.

Os comerciantes desse tipo de produto incorrem em crime de violação de propriedade intelectual (já que pirateiam um programa ou canal que não lhes pertence) e concorrência desleal (já que está tirando dos proprietários daquele canal os seus clientes). Falamos aí de pena de detenção de três meses a um ano, ou pagamento de multa.

Já quem compra pode incorrer em crimes de interceptação e/ou receptação. As penas variam de juiz para juiz, mas o entendimento geral é o de que isso se enquadra na categoria de furto simples, ou seja, um a quatro anos de prisão, mais a multa.

O funcionamento disso é relativamente simples: dotado de um dispositivo Android, o revendedor lhe cobrará um valor de assinatura – algo entre R$ 35 e R$ 150, dependendo da pessoa – e vai disponibilizar um link para download de um app específico, com credenciais de acesso que ele também vai lhe fornecer. Você insere essas informações no aparelho e pronto.

O problema com isso, porém, vai além do crime de propriedade intelectual: ao conectar uma TV Box na rede sem fio da sua casa, você está automaticamente compartilhando o tráfego de rede entre todos os aparelhos conectados ali, o que pode acabar expondo informações privadas suas ou da sua família.

Como são muitos os modelos disponíveis que fazem esse tipo de serviço, é difícil dizer quais e quantos já foram pegos executando “armadilhas” em seus clientes. Imagine, por exemplo, que você armazene informações bancárias em seu smartphone, dentro da mesma rede de uma caixinha dessas. Não há como saber se o administrador daquele sistema vai receber esses dados – ou mesmo os está visualizando no momento em que você os acessa.

Imagem simbolizando a pirataria mostra um homem vestindo um capuz com braços cruzados, mas seu rosto está escondido
O crime de pirataria está intrinsicamente ligado ao uso das TV Boxes, por meio de pessoas que liberam ilegalmente o sinal de canais de TV por assinatura, plataformas de streaming e canais pay per view (Imagem: Lazy_Bear/Shutterstock)

Em novembro de 2011, uma megaoperação policial na Europa derrubou mais de cinco mil servidores que hospedavam conteúdos pirateados: a ação movimentou 700 policiais em 11 países do continente, com um total estimado de 50 milhões de usuários já identificados. A ação visava atacar um dos principais fornecedores de IPTV pirata na região a pedido do governo italiano. 

A operação coordenou as forças da Alemanha, da Bulgária, da Eslovênia, da França, da Grécia, da Holanda, da Lituânia, da Romênia e da Suécia. No dia “D”, todos esses países se movimentaram contra os prestadores desse tipo de serviço e conseguiram confiscar os servidores, utilizados para transmitir filmes, séries, canais de TV ao vivo e esportes.

O Brasil também já foi palco de ações do tipo: no mesmo período do que foi visto na Europa, a “Operação 404 teve a sua segunda fase deflagrada pelo Ministério Público Federal junto da Alianza (ou “Aliança Contra a Pirataria da TV por Assinatura”), impactando cerca de 26 milhões de usuários de IPTVs piratas, com pelo menos cinco das prisões feitas em flagrante.

A etapa da Operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e promoveu o bloqueio e suspensão de 252 sites e 65 aplicativos de streaming. Os apps eram dedicados à transmissão clandestina de filmes e séries. Além de atingir domínios brasileiros, a 404, desta vez, também derrubou 27 sites do Reino Unido e três dos EUA. Da mesma maneira, a Operação retirou este tipo de conteúdo dos resultados em sites de busca e removeu perfis e páginas de redes sociais.

Mas nem só de pirataria incorrem as IPTVs, que trazem problemas também na própria fabricação desses aparelhos, desobedecendo o crivo da Anatel. A agência não fiscaliza apenas a oferta de serviços, mas também se um produto está dentro dos limites de emissão de campos eletromagnéticos considerados saudáveis, ou uso e materiais tóxicos como certas baterias, ou ainda a aplicação de componentes de baixa segurança técnica, o que pode levar a explosões e choques.

Afinal, vale a pena?

Sim. A primeira função de toda TV Box é a de dar acesso a aplicativos de entretenimento para aprimorar a experiência de usuários que não podem ou não querem investir um dinheiro a mais em uma Smart TV. Esse tipo de melhoria é sempre bem-vindo e, com a chegada e persistência da pandemia, o escrutínio público em cima de empresas que tenham esse produto em oferta tem sido maior do que nunca. Ou seja, a “usabilidade” de cada produto só tende a melhorar.

Evidentemente, tem o lado negativo, com pessoas que usam dos mesmos aparelhos para praticar o crime de pirataria. Mas isso é muito mais uma questão de preferência (e consciência) do usuário, que tem o poder final de escolher onde investir o seu dinheiro. Por essa razão, é sempre bom avaliar o fabricante que está lhe oferecendo um produto, e suspeitar a todo momento de propostas “boas demais”.

No fim, o barato sair muito caro é uma decisão sua.

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