O Senado dos Estados Unidos ouve nesta terça-feira (5) Frances Haugen, ex-funcionária do Facebook que vazou documentos internos da rede social para o The Wall Street Journal. A identidade da informante foi revelada no último domingo (3) em um canal de TV.

O ponto mais destacado dos documentos está no fato da empresa considerar o Instagram perigoso para crianças e adolescentes. Testes internos da rede social teriam apontado os perigos da plataforma para esse público. O algoritmo de recomendação também é acusado de exibir postagens relacionadas com distúrbios alimentares e automutilação.

publicidade

Na abertura, o relator do caso senador Richard Blumenthal disse que o Facebook “colocou os lucros à frente das pessoas”. Ele ainda cobrou que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, volte a testemunhar no congresso. “Em vez de assumir responsabilidades e mostrar liderança, o Sr. Zuckerberg está navegando”, completou.

Frances Haugen sobre o Facebook

Frances Haugen então começou falando que o Facebook enganou o público com uma suposta proteção de crianças e adolescentes. “O que sua própria pesquisa revela sobre a segurança das crianças e a eficácia de seus sistemas de inteligência artificial como um papel na divulgação de mensagens divisivas e extremas”, explicou.

Haugen também destacou a necessidade de uma equipe maior na empresa para lidar com denúncias e investigações. Segundo a informante, os funcionários não dão conta da demanda e a plataforma parece não se importar com isso, com a prioridade sendo sempre as métricas de engajamento.

“Um padrão de comportamento que vi no Facebook era que, muitas vezes, os problemas eram tão insuficientes que havia um desânimo implícito de ter melhores sistemas de detecção. Por exemplo, trabalhei na equipe de contra-espionagem e, a qualquer momento, nossa equipe só conseguia lidar com um terço dos casos que conhecíamos. Sabíamos que se construíssemos até mesmo um detector básico, provavelmente teríamos ainda mais caixas”, contou.

“As empresas têm 100% de controle sobre seus algoritmos, e o Facebook não deve deixar de lado as escolhas que faz para priorizar o crescimento, a viralidade e a reatividade acima da segurança pública”, disse Haugen. “Eles estão pagando por seus lucros agora com nossa segurança”, completou.

A audiência terminou com a ex-funcionária do Facebook falando sobre a impressão de segurança que a plataforma passa. “O fato de que estamos sendo questionados [sobre] essas falsas escolhas é apenas uma ilustração do que acontece quando as soluções reais estão escondidas dentro das empresas”, disse ela. “Precisamos de mais funcionários de tecnologia por meio de canais legítimos, como a SEC ou o Congresso, para garantir que o público tenha as informações de que precisa para que as tecnologias sejam centradas no ser humano, não centradas no computador”, finalizou.

Haugen deixou o Facebook em abril, após o Facebook ter dissolvido sua equipe em dezembro de 2020. Os documentos vazados pelo Wall Street Journal revelam que o Facebook considera o Instagram uma plataforma tóxica para adolescentes. As reportagens ainda mostram que grupos de traficantes de drogas e pessoas usam métodos para burlar o algoritmo da rede social.

Leia mais!

Já assistiu aos novos vídeos no YouTube do Olhar Digital? Inscreva-se no canal!