Imagine morar na Flórida, comprar uma casa e, depois de um tempo, ver a sua moradia vir abaixo. Imagine, também, que essa tragédia aconteceu por culpa de um animal de pouco mais de 20 centímetros, pele enrugada e movimentos vagarosos e tediosos: parabéns, você acaba de ser apresentado ao estrago causado por um tipo específico de  caramujo (o caramujo-gigante-africano, ou Lissachatina fulica), que pode, literalmente, “comer casas”.

Não, você não leu errado, nem tampouco o Olhar Digital está exagerando: o caramujo-gigante-africano aparentemente tem um gosto fora do comum pelo estuque, uma técnica de construção civil que junta o gesso, a água e o cal em uma massa normalmente aplicada em colunas e paredes, para várias finalidades.

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Imagem de um caramujo que, segundo especialistas, pode comer casas
Coisa fofa… (Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução)

“Esse é realmente um dia empolgante para o nosso estado e nosso país”, disse a Comissária da Agricultura da Flórida, Nikki Fried. O tom celebratório não vem à toa: além de derrubar casas, esse pequeno notável carrega consigo um parasita que, em contato com humanos, pode trazer a meningite. E não podemos reforçar mais: é um caramujo. E ele Pode. Comer. Casas.

Não acredita em nós? Tudo bem, então ouça o diretor da divisão do governo que regulamenta a indústria botânica da Flórida, Trevor Smith: “ele vai comer suas plantas, e ele vai comer a sua casa”.

Pior: não é a primeira vez que a Flórida entra em guerra com estes caramujos. O primeiro exemplar do bicho apareceu no estado em 1966, cortesia de uma criança curiosa que contrabandeou três deles após uma viagem ao Havaí. A avó da criança os jogou no quintal de casa, onde eles se reproduziram mais rápido que os seus boletos do mês. Foi só em 1975 que oficiais do estado conseguiram se livrar da praga.

Ou, pelo menos, foi o que pensaram: em 2011, novos exemplares foram identificados e, em 2014, uma colônia cheia de caramujos-gigantes-africanos foi descoberta na região oeste da vila de Davie. Desde então, o estado vem gastando recursos para erradicar, de novo, os animais, chegando ao ponto de treinar dois cães para farejarem especificamente as suas tocas e ninhos, que são subterrâneas e cavadas entre 15 e 20 centímetros terra adentro.

Desde 2011, o estado recolheu quase 170 mil exemplares do caramujo. E de novo: ele pode comer casas.

“Nossos parceiros comerciais não querem essa praga”, disse Smith. “Então foi absolutamente imperativo para nós a erradicarmos para que ela não impactasse o nosso comércio internacional”.

Caramujos-gigantes-africanos são mais ativos à noite, em especial durante períodos de chuva, e podem ser encontrados com maior frequência em regiões com grandes corpos d’água, como lagos, lagoas e mares. Segundo Smith, para que uma espécie seja considerada erradicada, devem se passar três anos desde o último avistamento de um exemplar dela. Como não houve mais relatos do caramujo desde 2017, o estado celebrou a vitória.

“Fico feliz em dizer que só há um lugar na Terra onde o caramujo-gigante-africano foi erradicado”, disse Smith. “E nós fizemos isso duas vezes”.

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