Parece que a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) não tem confiança de que a Boeing irá resolver os problemas com sua espaçonave Starliner tão cedo. Tanto que está remanejando dois dos primeiros astronautas que voariam no veículo para uma missão na Crew Dragon, da SpaceX.

Nicole Mann e Josh Cassada foram designados para missões no Starliner em 2018. Junto com Michael Fincke e Butch Wilmore, Nicole voaria na missão de demonstração, que provaria que a espaçonave é segura. Já Cassada voaria logo em seguida, na primeira missão operacional da Starliner no contrato entre a Boeing e a Nasa, como parte do Commercial Crew Program (CCP).

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Mas após o cancelamento do segundo teste orbital da Starliner devido a problemas na cápsula, e sem previsão para um novo teste, quanto mais uma missão tripulada, a Nasa achou por bem terminar o “chá de cadeira” da dupla. Nesta quarta-feira (6) eles foram designados para a Crew-5, quinta missão da SpaceX no CCP, que deve decolar na primavera de 2012. Será a primeira missão espacial de ambos.

“Nicole e Josh fizeram um trabalho incrível abrindo o caminho para o treinamento de astronautas que irão voar na espaçonave Starliner da Boeing”, disse Kathy Lueders, administradora adjunta de operações espaciais da Nasa. “Eles ganharam experiência que irão aproveitar enquanto treinam para voar a espaçonave Crew Dragon da SpaceX e servir a bordo da Estação Espacial Internacional” (ISS).

Nicole Mann (à esquerda) e Josh Cassada (à direita) voariam na CST-100 Starliner. Imagem: Nasa
Nicole Mann (à esquerda) e Josh Cassada (à direita). Imagem: Nasa

Em declaração ao The Verge, a Boeing afirmou: “Compreendemos a necessidade da agência em fazer ajustes para que os membros da turma atual de astronautas ganhem experiência em um veículo operacional enquanto o desenvolvimento da espaçonave Starliner continua. Apoiamos totalmente as decisões da Nasa e mantemos o compromisso de colocar a segurança dos astronautas que voarão em nosso veículo em primeiro lugar”.

Entenda o atraso da Starliner

Desde 2011, quando o último ônibus espacial (o Atlantis) foi aposentado, a Nasa não tinha um meio próprio para enviar astronautas à ISS e trazê-los de volta à Terra. Por isso, dependia da compra de assentos em foguetes Soyuz russos, com cada assento custando até R$ 500 milhões.

Em vez de desenvolver um novo foguete capaz de missões tripuladas, a Nasa decidiu resolver o problema recorrendo à iniciativa privada, iniciando uma competição (o CCP) em busca de empresas capazes de desenvolver um veículo para levar até sete astronautas para a ISS e trazê-los de volta.

As empresas vencedoras foram a SpaceX, com a Crew Dragon, e a Boeing, com o CST-100 Starliner. E é aí que a história de ambas começa a divergir. A SpaceX saiu na frente, realizando a primeira missão não tripulada (Demo-1) da Crew Dragon em março de 2019, o que abriu as portas para a primeira missão tripulada, a Demo-2, em Maio de 2020. Desde então ela já realizou duas missões no CCP (Crew-1, em Novembro de 2020, e Crew-2, em Abril de 2021), com a terceira (Crew-3) marcada para 30 de outubro, e mais duas (Crew-4 e Crew-5) na agenda.

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Enquanto isso, o primeiro teste não tripulado da CST-100 Starliner (chamado Orbital Flight Test 1, ou OFT-1) fracassou: a cápsula chegou à órbita terrestre, mas um erro em um computador de bordo fez com que ela consumisse mais combustível do que deveria, impedindo que chegasse à ISS.

Após realizar mais de 80 modificações na cápsula a pedido da Nasa, a Boeing agendou um segundo teste não tripulado para julho deste ano. A primeira tentativa de lançamento foi cancelada devido a um incidente provocado pela chegada do módulo russo Nauka à Estação Espacial Internacional: após se acoplar à estação, o módulo inadvertidamente disparou seu propulsor, fazendo a estação dar um giro de 540 graus e perder o controle de atitude, ou seja, sua posição em relação à Terra.

A segunda tentativa também foi cancelada, desta vez por um problema mecânico: umidade infiltrou 13 válvulas do sistema de propulsão da espaçonave, onde reagiu com o propelente (combustível) e causou corrosão. Depois de algumas tentativas de corrigir o problema na plataforma de lançamento, a Boeing levou a cápsula de volta ao hangar para mais análises.

Se a OFT-2 tivesse sucesso, a Nasa e a Boeing iriam “procurar oportunidades no final deste ano para voar a primeira missão tripulada da Starliner à Estação Espacial”, disse a Agência Espacial Norte-Americana. Mas com o remanejamento dos astronautas que participariam do voo, o futuro da Starliner é cada vez mais incerto. No momento, um novo teste só deve acontecer em 2022.

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