Em comunicado oficial feito antes do lançamento da missão tripulada Crew-3 da Nasa rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), programado para o dia 30 deste mês, a SpaceX anunciou que pretende dobrar sua frota de espaçonaves reutilizáveis Dragon.

Imagem da SpaceX mostra a cápsula Crew Dragon antes de seu lançamento em agosto
Frota de espaçonaves Crew Dragon da SpaceX dobrará em menos de nove meses. Imagem: SpaceX/Divulgação

De acordo com a diretora do Dragon Mission Management da empresa, Sarah Walker, a missão Crew-3 vai inaugurar uma nova cápsula Crew Dragon (provavelmente a C210), que será levada ao espaço no topo do foguete Falcon 9 B1067. Esse veículo, por sua vez, não é zero quilômetro: foi usado em 3 de junho, quando enviou a segunda espaçonave de carga Dragon à ISS. 

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Segundo o site Teslarati, a SpaceX voou com astronautas da Nasa em um foguete “semi-novo” (tecnicamente chamado de flight-proven, ou, “comprovado em voo”) pela primeira vez em abril, na missão Crew-2 – segundo lançamento da tripulação operacional do Dragon e ‘rotação’ da primeira tripulação. Na ocasião, o foguete utilizado foi o Falcon 9 B1062. 

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A Crew Dragon da Crew-2 também é de segunda mão, tendo sido usada na primeira missão tripulada da SpaceX, a Demo-2, em meados de 2020.

Quando a SpaceX lançou a primeira tripulação 100% civil do mundo, na missão filantrópica conhecida como Inspiration4, mais uma vez, um foguete comprovado em voo lançou uma cápsula Crew Dragon que transportava quatro astronautas, aumentando ainda mais a capacidade de reutilização humana com o primeiro uso de um Falcon 9 duas vezes em missões tripuladas.

Cápsulas Crew Dragon da SpaceX devem voar até cinco vezes cada

Portanto, a missão Crew-3 é a continuidade de uma nova tendência: lançar astronautas profissionais da Nasa e de outras agências internacionais em foguetes SpaceX comprovados em voo, o que reduz significativamente os custos.

Se esse for um lançamento bem-sucedido, a SpaceX terá lançado mais Dragons tripuladas com foguetes Falcon 9 comprovados em voo do que com novos propulsores – e considere que a empresa fez seu primeiro lançamento tripulado há menos de um ano e meio.

Já a cápsula Dragon que será utilizada na Crew-3, como dito anteriormente, será nova, o que dá à missão ainda o importante papel de estrear um veículo enquanto a SpaceX monta sua frota de espaçonaves orbitais reutilizáveis. 

O C210, se realmente for utilizado, será o terceiro Crew Dragon a se juntar à frota de duas cápsulas de tripulação operacionais da SpaceX – C206 (Endeavor) e C207 (Resiliência).

Walker confirmou ainda que a Crew-4 – recentemente programada para decolar em abril de 2022 – também vai estrear uma nova cápsula Crew Dragon, eventualmente aumentando o número de cápsulas da tripulação da empresa para quatro veículos, o que dobra sua frota.

Cada uma dessas cápsulas é certificada para voar pelo menos cinco missões da Nasa. Esse número deve ser o suficiente para saciar pelo menos alguns anos da demanda de lançamento das Crew Dragon de curto prazo pela SpaceX. 

Se uma certificação estendida além de cinco voos for impossível ou se a empresa continuar a transportar astronautas públicos e privados nas Dragon até por volta de 2025, no entanto, é possível que mais cápsulas sejam necessárias. 

Em teoria, se o Starliner da Boeing finalmente se tornar operacional em 2023 e a Nasa continuar a operar a ISS até 2030 ou mais, a SpaceX provavelmente terá a tarefa de apoiar ao menos um lançamento da agência anualmente entre 2023 e 2030.

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