Um análise de documentos antigos feita pelo italiano Paolo Chiesa, especialista em literatura medieval, afirma que marinheiros italianos sabiam da existência da América ao menos 150 anos antes de sua “descoberta” pelo genovês Cristóvão Colombo, em 1492.

A informação está em um documento chamado Cronica Universalis, escrito em 1345 por um frei milanês chamado Galvaneus Flamma. Segundo o site Phys, o texto, que só foi descoberto em 2013, sugere que marinheiros de Gênova já sabiam, a partir de fontes islandesas, da existência de uma terra chamada Markland ou Marckalada.

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“Estamos diante da presença da primeira referência ao continente americano, embora de forma embrionária, na região do Mediterrâneo”, diz o Professor Chiesa, do Departamento de Estudos Literários, Filologia e Linguística da Universidade de Milão, no texto publicado após revisão por pares no jornal Terrae Incognitae.

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Galvaneus Flamma foi um frei dominicano que viveu em Milão e era ligado à família que governava a cidade de Genova, que na época era um reino independente. Ele escreveu vários textos literários em Latim, principalmente sobre temas históricos. Seu testemunho é uma fonte valiosa de informações sobre fatos milaneses contemporâneos, dos quais ele tinha conhecimento em primeira mão.

Na época de Flamma, Gênova era uma das grandes potências marítimas da Europa, portanto, uma fonte de informações sobre o que acontecia em diversas partes do mundo. Galvaneus parece ter ouvido de marinheiros, de forma informal, rumores sobre terras no extremo noroeste que poderiam ser de interesse comercial, bem como informações sobre a Groenlândia, que ele descreve de forma precisa, conforme o conhecimento da época.

“Mas estes rumores eram vagos demais para ter consistência em representações cartográficas”, diz o professor. Por isso, Marckalada não foi classificada na época como uma “nova terra”.

Ruínas da Igreja de Hvalsey, construída por colonos nórdicos na Groenlândia no início do século 13. Imagem: Number 57 (Domínio Público)

Vale mencionar que fontes islandesas mencionam que três territórios na América do Norte, Markland, Vinland e Helluland, teriam sido descobertos pelo navegador Leif Ericsson por volta do ano 1.000. Um documento islandês de 1.347, dois anos depois do texto de Flamma, fala de um navio que ao voltar de Markland para a Groenlândia se perdeu e foi parar na Islândia, mas não menciona a localização do território de origem.

A terra descrita por Galvaneus é rica em árvores e animais, assim como a Markland dos textos islandeses. Não poderia ser a Groenlândia, que foi ocupada por Islandeses e Noruegueses a partir de 986, já que ela é descrita por Galvaneus como gelada, desértica e desolada. 

Segundo Chiesa, os genoveses podem ter trazido de volta à cidade notícias diversas sobre estas terras, algumas reais e outras fantasiosas, que ouviram de marinheiros escoceses, britânicos, dinamarqueses ou noruegueses com quem estavam fazendo comércio.  

“Não vejo razão para desconfiar dele” (Flamma), disse Chiesa, que complementa: “há muito notamos que cartas náuticas do século XIV, desenhadas em Genova e na Catalunha, tem uma representação geográfica do norte mais avançada, que poderia ter sido adquirida através de contatos diretos com estas regiões”.

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