Derrubando um recorde que já pertenceu à Tanzânia, um grupo de pesquisadores descobriu a pegada mais antiga, pertencente a civilizações pré-históricas que caminharam pelo que hoje corresponde à Ilha de Creta, na Grécia. O estudo do caso foi publicado no jornal Scientific Reports.

O time envolveu cientistas da Alemanha, Suécia, Grécia, Egito e Inglaterra, que descobriu a pegada em Trachilos, uma vila localizada na região oeste de Creta, a mais populosa ilha da Grécia. Métodos de avaliação de idade indicam que a pegada tem pelo menos 6,05 milhões de anos, correspondendo à primeira evidência de quando os hominídeos da época passaram a caminhar com as duas pernas.

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Pegada mais antiga da pré-história feita por humanos é descoberta por time internacional de estudiosos na ilha de Creta, na Grécia
Pegada mais antiga da pré-história feita por humanos é descoberta por time internacional de estudiosos na ilha de Creta, na Grécia (Imagem: University of Tübingen/Divulgação)

“Essa pegada é quase 2,5 milhões de anos mais velha que às atribuídas a um Australopithecus afarensis (espécie da popular “Lucy”), encontrada em Laetoli, na Tanzânia”, disse Uwe Kirscher, do Centro de Evolução Humana na Universidade de Tübingen. De acordo com essa marcação de idade, a pegada de Creta foi feita mais ou menos na mesma época que aquelas do Orrorin tugenesis do Quênia. Assim como aquele exemplar, a pegada grega também não apresenta marcas de pés ou de ossos dos pés, mas evidencia suporte femoral (relativo ao fêmur, o osso da coxa e o maior do corpo humano, não à artéria de mesmo nome).

“O pé mais antigo humano, usado para caminhar sobre duas pernas, tinha algo como uma ‘bola’, com um dedão exposto em paralelo e dedos sucessivamente menores”, disse Per Ahlberg, professor da Universidade Uppsala e co-autor do estudo. “Nesta pegada, o pé tinha uma sola menor que a do Australopithecus. Um arco que ainda não era muito evidente e o calcanhar era mais estreito”.

Há aproximadamente seis milhões de anos, Creta não era apenas a ilha que conhecemos hoje, mas sim uma massa de terra conectada à Grécia continental pela região chamada de Peloponeso. Por causa disso, Madelaine Böhme, também professora da Uppsala, não descarta que o pré-humano que deixou essa pegada tenha cruzado caminhos com o Graecopithecus freybergi – tido como o mais antigo antepassado conhecido do homem moderno, tendo vivido há cerca de 7,2 milhões de anos. Um fóssil de sua mandíbula foi encontrado em Atenas no ano de 1944 – Atenas fica a cerca de 250 km de Creta, uma distância não muito grande.

A descoberta tem considerável peso científico por sugerir que as relações de desenvolvimento dos humanos pré-históricos pode ter sido mais próximas entre suas várias espécies do que se pensava: pesquisas recentes descartaram o primata africano Sahelanthropus como “bípede”, elevando o Orrorin tugenensis à posição de mais antigo hominídeo africano (6,1 milhões a 5,8 milhões de anos atrás). Há 6,25 milhões de anos, um processo de desertificação da Mesopotâmia pode ter gerado um processo de migração de animais mamíferos – o que inclui humanos da época – para a África.

Por outro lado, uma segunda alteração de terreno há 6 milhões de anos pode ter permitido a ocorrência de um processo evolucionário separado do solo africano, envolvendo algum humano pré-histórico europeu.

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