As coisas não estão indo nada bem no desenvolvimento da Starliner, espaçonave tripulada da Boeing que irá levar astronautas à Estação Espacial Internacional. Depois de um primeiro teste fracassado, cancelamento do segundo e remanejamento de astronautas para um voo da concorrente SpaceX, agora a Nasa adiou oficialmente um novo teste orbital da cápsula.

Em comunicado na última sexta-feira (8), a agência afirma que está investigando possibilidades de lançamento para o “primeiro semestre de 2022”, dependendo da prontidão da espaçonave, do manifesto de foguetes e da disponibilidade da Estação Espacial Internacional (ISS).

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Ou seja, se todas as estrelas se alinharem, o primeiro teste não tripulado da Starliner será realizado três anos depois da concorrente SpaceX, que a esta altura já terá lançado ao menos cinco missões tripuladas em sua Crew Dragon, quatro à ISS (Demo-2, Crew-1, Crew-2 e em breve a Crew-3) e uma missão civil orbital (Inspiration4).

Obviamente, a Nasa tenta apresentar esta situação de forma positiva. “Estou orgulhoso do trabalho que nossas equipes integradas estão fazendo”, disse Steve Stich, gerente do Programa de Tripulação Comercial do Kennedy Space Center da NASA na Flórida.

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“Esta é uma questão complexa que envolve substâncias perigosas e áreas intrincadas da espaçonave que não são facilmente acessadas. Foi necessária uma abordagem metódica e engenharia sólida para examinar com eficácia”, afirmou.

O lançamento da missão OFT-2 (Orbital Flight Test 2, Teste de Voo Orbital 2) foi cancelado no início de agosto, quando a Boeing descobriu, já com o foguete na plataforma, que várias válvulas que controlam a passagem do oxidante para o Sistema de Controle de Atitude e Manobra Orbital (OMAC, Orbital Maneuvering and Attitude Control) estavam emperradas. 

Segundo a Nasa, a solução de problemas na plataforma, no complexo de lançamento e dentro da fábrica de produção da Starliner no Kennedy Space Center resultou no movimento de todas as válvulas emperradas, exceto uma. Essa válvula não foi movida intencionalmente para preservar a perícia para análise da raiz do problema.

A Boeing identificou como causa mais provável uma interação entre o oxidante e umidade na tubulação, com “confiança alta o suficiente para estarmos iniciando ações corretivas e preventivas”.

Starliner, espaçonave tripulada sendo desenvolvida pela Boeing
Starliner: desenvolvimento de cápsula da Boeing está cercado de problemas. Imagem: Nasa

A desmontagem parcial de três das válvulas afetadas foi concluída no mês passado, e elas devem ser removidas da espaçonave nas próximas semanas para uma inspeção mais detalhada. A equipe também está avaliando testes adicionais para reproduzir as falhas iniciais.

Segundo a empresa, vários caminhos para resolver o problema e evitar que aconteça em voos futuros foram identificados, dependendo do resultado dos testes. Essas opções podem variar de uma pequena reforma dos componentes do módulo de serviço atual ao uso de outro módulo de serviço já em produção. Cada opção depende dos dados que a equipe espera coletar nas próximas semanas, incluindo um cronograma para voltar com segurança à plataforma de lançamento.

“A segurança da espaçonave Starliner, de nossos funcionários e da tripulação é a prioridade número um desta equipe”, disse John Vollmer, vice-presidente e gerente do programa Starliner da Boeing. “Estamos gastando o tempo apropriado no processo para configurar este sistema para o sucesso da OFT-2 e de todas as futuras missões Starliner.”

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