O debate sobre o fim da pandemia sempre foi baseado nos avanços das vacinas e se elas eram eficazes ou não. Com o mundo evoluindo na imunização, a conversa ganhou mais um tópico após anúncio da farmacêutica Merck Sharp & Dohme – e este pode mudar o rumo da história: a criação de uma pílula contra a Covid-19.

Rumores e esperanças se espalharam por todo o planeta e para te ajudar a entender mais sobre o medicamento da Merck, chamado de molnupiravir, o Olhar Digital separou seis coisas que você deve saber sobre ele.

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Simulação de pílula contra covid-19
Imagem: Bohbeh/Shutterstock
  • Como funciona a pílula molnupiravir contra a Covid-19?

No ensaio clínico, os participantes do estudo receberam, por duas vezes ao dia, quatro pílulas de molnupiravir. O teste, que levou cinco dias para ser completado, era iniciado assim que o voluntário apresentasse sintomas de Covid-19.

De acordo com o Dr. Albert Shaw, Ph.D. e especialista em doenças infecciosas da Yale Medicine, assim que o medicamento entra na corrente sanguínea, ele bloqueia a capacidade do vírus SARS-CoV-2 de se replicar.

Para agir dessa maneira, os cientistas fizeram a estrutura do molnupiravir se assemelhar aos nucleosídeos (ou blocos de construção químicos) usados ​​para fazer o RNA do coronavírus. Ou seja, a pílula vai se incorporar a esse RNA à medida que é sintetizada.

  • O molnupiravir tem algum efeito colateral?

Segundo o comunicado oficial da Merck, o medicamento não acarretou em efeitos colaterais graves nos voluntários do estudo. Como o molnupiravir atua bloqueando a forma como o coronavírus replica o RNA, especialistas se preocupam com uma possível alteração no RNA humano.

A farmacêutica, porém, afirma ter dados de estudos de laboratório indicando que o molnupiravir não causa mutações em humanos, mas “o FDA (órgão de saúde dos Estados Unidos) irá avaliar os dados de segurança no processo de aprovação”, disse o Dr. Shaw.

Outro especialista em doenças infecciosas da Yale Medicine, Jaimie Meyer observou que, em seu ensaio clínico, a Merck não testou a droga em mulheres grávidas.

“No estudo, eles não apenas excluíram mulheres que estavam grávidas, amamentando ou planejando engravidar, mas também disseram aos homens inscritos no estudo que eles não poderiam ter relações sexuais sem camisinha com mulheres por uma semana depois de terminarem sua medicação “, explicou Meyer.

A preocupação em mulheres gestantes se resume ao medo da droga interferir na replicação do RNA necessária para o desenvolvimento do feto, causando, assim, defeitos congênitos.

  • O molnupiravir previne infecções ou doenças graves e a morte?

O objetivo principal da pílula é prevenir doenças graves e até a morte em pessoas infectadas com Covid-19. O estudo da Merck sugeriu que o molnupiravir evitaria a hospitalização de uma pessoa infectada e que tivesse um fator de risco.

  • Para quem o molnupiravir é recomendado?

A Merck foca o desenvolvimento da sua pílula para adultos de alto risco. No ensaio clínico, o molnupiravir foi administrado, principalmente, em pessoas com mais de 60 anos ou em mais jovens com comorbidades.

  • O molnupiravir funcionará em variantes do vírus, incluindo Delta?

Sim, e isso pode ser um alívio para muitas pessoas e especialistas. A pesquisa, que foi conduzida nos Estados Unidos e em outros países, também sugere que o medicamento é eficaz contra mutações do vírus que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) classificam como “variantes preocupantes”, como a Delta, a Gamma e as mutações Mu.

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  • Se o molnupiravir for autorizado, ainda precisamos de vacinas?

Tanto quanto Shaw e Meyer enfatizam que se o molnupiravir for autorizado e for bem-sucedido, a vacinação continuará sendo essencial para prevenir a infecção do novo coronavírus.

“A vacina é nossa ferramenta de primeira linha para prevenir a hospitalização, e estou um pouco preocupado que a atenção dada ao molnupiravir desvie a atenção da vacinação”, disse o Dr. Meyer. “Algumas pessoas podem dizer: ‘Não vou ser vacinado porque terei acesso a esses medicamentos’ – a esta pílula, ao remdesivir ou a outros tratamentos. Mas você não pode trocar um pelo outro. O mais importante ainda é tomar a vacina”, finalizou.

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