As Forças Armadas dos EUA têm uma nova máquina de guerra: o veículo blindado 8×8 LAV-M armado com munição do tipo vagante, ou “drones suicidas”, como são frequentemente descritos no Brasil. Produzido pela empresa israelense UVision, o veículo é uma variante com morteiro do famoso LAV-25 — um dos principais veículos de combate de infantaria dos marines americanos.

A aeronave foi apresentada oficialmente na última segunda-feira (11), durante a conferência anual da Associação do Exército dos EUA. Jim Truxel, CEO da UVision USA, comentou mais detalhes em comunicado à imprensa:

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“A UVision recebeu recentemente um contrato para fornecer munição aérea vagante [do tipo] Hero-120 e MCLs [lançadores de múltiplos canhões, na sigla em português] para o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. Como parte deste projeto, os MCLs serão instalados em várias plataformas. Estamos orgulhosos que este último desenvolvimento será usado em breve.”

De acordo com a fabricante, o lançador com oito células (ou MCL) consegue lançar tanto mísseis do tipo Hero-120, como solicitado pelos marines americanos, como Hero-30 e Hero-400EC. Enquanto o Hero-120 em geral é utilizado para alvos de tamanho médio, o Hero-30 pode servir para ataques “cirúrgicos” menores e o 400EC, para alvos fortificados e de longo alcance.

“A capacidade inovadora destes mísseis permite escolher o sistema de lançamento mais adequado, dependendo da natureza da missão e do alvo”, diz a companhia do Oriente Médio.

Especificações técnicas

O Hero-120 possui uma ogiva que pesa um pouco menos de 4,5 quilos e alcance de cerca de 40 quilômetros, podendo permanecer no ar por até uma hora. O Hero-30, por sua vez, pesa um pouco mais do que 45 g, com a possibilidade de ficar 30 minutos no ar, enquanto o Hero-400, com uma ogiva de 40,8 quilos, consegue ficar 120 minutos nos céus, com uma autonomia de quase 150 quilômetros.

Os três drones suicidas pertencentes ao Exército dos EUA também vêm com sistema de televisão e câmeras de vídeo infravermelho que permitem ao operador monitorar o voo.

Veículo blindado LAV-M, do Exército dos EUA
Propriedade do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA — os “marines” —, o LAV-M terá capacidade para carregar oito drones suicidas (Uvision/Divulgação)

O pulo do gato dos “drones suicidas”

O exército dos EUA vê os “drones suicidas”, entre outros novos sistemas de armas, como essenciais para o futuro das suas operações de guerra, principalmente em conflitos de ponta — no caso, contra oponentes do mesmo nível, como Rússia e China. Na visão do exército americano, uma arma como a Hero-120 oferece, por exemplo, uma nova maneira, mesmo para unidades terrestres, de realizar ataques de precisão em longas distâncias. Também garante este tipo de capacidade em ataques aéreos ou de artilharia mais tradicionais.

Além disso, os marines dos EUA planejam montar MCLs carregados com drones suicidas Hero-120 em embarcações não-tripuladas que seriam capazes de lançar ataques de enxame a navios inimigos, bem como ameaças terrestres próximas à costa.

“Estas munições aéreas permitem reconhecimento automático de alvos e se mostraram excepcionalmente letais em conflitos globais recentes”, explicou o general David Berger, comandante dos marines dos EUA, aos membros do Congresso em junho. “Nossos próprios testes também demonstraram que essa tecnologia é eficaz, com cinco de cinco disparos bem-sucedidos.”

Os drones suicidas são armas pilotadas de forma remota que perambulam por uma área-alvo por algum tempo e atacam assim que o adversário é localizado. É essa vantagem que os separa de mísseis mais tradicionais, pois conseguem operar como pequenas naves de vigilância e reconhecimento antes de cumprir sua tarefa.

De acordo com a UVision, os protótipos também podem ser recuperados e renovados para reutilização se completarem uma missão sem atacar.

Via The Drive

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