Em breve, a cervejinha pode deixar de ser um dos principais acompanhamentos do churrasco para se tornar a própria refeição. Explica-se: pesquisadores da Islândia estão cultivando em estufa mais de 100 mil pés de cevada geneticamente modificados para a produção de carne cultivada em laboratório.

Cevada geneticamente modificada é purificada para extração de proteínas que podem ser usadas na produção de carne cultivada em laboratório. Imagem: Mir141 – Shutterstock

Segundo os cientistas, a cevada alterada é colhida e purificada para extrair proteínas do “fator de crescimento”, que, por sua vez, podem ser usadas para cultivar carne produzida em laboratório a partir de células-tronco – uma inovação que pode fazer com que o ramo dependa ainda menos de animais vivos no futuro.

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A empresa responsável pela estufa é a ORF Genetics, que está cultivando a cevada produzida por bioengenharia em mais de 6,7 mil metros quadrados de área, usando métodos de cultivo hidropônicos de alta tecnologia.

As proteínas do fator de crescimento extraídos das sementes da cevada desempenham um papel importante na manutenção das células-tronco. Em 2010, a ORF lançou um produto para a pele que faz uso desses elementos.

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Alimentar o planeta com carne sem matar animais

Agora, pouco mais de dez anos depois, a empresa espera entrar no mercado de carne cultivada em células. Segundo a ORF, essas proteínas estimulam o crescimento dos tecidos que compõem os produtos, incluindo músculos animais e células de gordura.

“A população está aumentando e temos que alimentar todas as pessoas”, disse a diretora de tecnologia de proteínas da ORF Genetics, Arna Runarsdottir, em entrevista à BBC.

De acordo com ela, se os cientistas pudessem descobrir como produzi-la em grande escala, a carne cultivada em laboratório teria muitas vantagens que poderiam ajudar a alimentar sem a necessidade de matar animais. 

“Não temos que matar todos esses animais, só temos que extrair as células-tronco deles”, explicou Runarsdottir, observando que é uma opção mais viável e ambiental em comparação com a carne cultivada convencionalmente.

Segundo a BBC, a tecnologia criada pela ORF já está em uso ​​por várias empresas que fabricam produtos de carne cultivados em laboratório.

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