“Quem não ganhou cinco quilos, não viveu essa pandemia direito”, essa é uma frase que virou meme com o avanço da vacinação no Brasil. Porém, não foram só os adultos que ganharam peso durante o isolamento, crianças e adolescentes também viram números maiores ao subir na balança.

Porém, ao mesmo tempo, o número de adolescentes e jovens adultos procurando tratamento para distúrbios alimentares também aumentou. Além da compulsão alimentar, muito motivada pela ansiedade, condições como a anorexia nervosa e a bulimia também cresceram.

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Reforços negativos

As razões para isso são bastante complexas, mas, entre elas, está algo que vem lá de traz, da primeira infância, para ser mais exato. Pesquisadores que estudam saúde e comportamento dizem que a ênfase exagerada dos pais no peso das crianças pode gerar efeitos bastante nocivos anos depois.

Isso acontece porque o pensamento reducionista de que um corpo magro é saudável e que qualquer variação de peso para cima é um sinal de doença. De fato, o alto índice de massa corporal (IMC) é um fator de risco para doenças crônicas. Porém, não é o único fator, e muito menos o mais sério.

O IMC pode ser um preditivo para o surgimento de doenças crônicas, mas não é o único e nem o melhor deles. Créditos: Shutterstock

Além disso, dar uma ênfase desproporcional à questão do peso, principalmente em crianças, pode contribuir para distúrbios de imagem. Isso também pode gerar episódios de discriminação relacionadas ao peso, como bullying e xingamentos, algo relativamente comum entre adolescentes e jovens.

Pesquisas demonstraram que entre 25% e 50% das crianças e adolescentes dos EUA relataram ter sofrido provocações ou bullying em relação ao peso corporal. Essas experiências podem desencadear distúrbios alimentares e mentais , como a depressão, além de piorar o desempenho acadêmico.

O que fazer?

Para melhorar a saúde física e mental de algumas crianças, principalmente aquelas que têm o corpo maior, uma equipe de pesquisadores da Universidade do Oregon, nos EUA, preparou algumas dicas de coisas que não se deve dizer para crianças e adolescentes.

Nichole Kelly, Elizabeth Budd e Nicole Giuliani defendem que não se deve dizer que uma criança seja ‘gorda’, ‘obesa’ ou ‘acima do peso’. Segundo as especialistas, isso cria um estigma negativo, que pode levar ao desenvolvimento de transtornos alimentares, mentais e de imagem na juventude.

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As pesquisadoras acreditam que os pais devem focar na saúde das crianças, e não no seu peso. Hábitos como alimentação saudável e prática de atividade física devem ser incentivados, ao invés de manter um IMC baixo, o foco deve ser em ter hábitos saudáveis.

A prática regular de atividade física, por exemplo, melhora o humor das crianças e diminui significativamente o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas e diabetes tipo 2. Segundo as pesquisadoras, essa redução de riscos de doenças não está ligada diretamente à perda de peso.

Via: Medical Xpress

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