O departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que um casal de informantes foi preso após vazar projetos de um submarino nuclear classe Virgínia através de um sanduíche de manteiga de amendoim. O engenheiro naval Jonathan Toebbe e sua esposa, Diana Toebbe, foram presos após negociarem e venderem mais de 10 mil páginas de “Dados Restritos a respeito do design de um submarino movido à energia nuclear” que, sem saber, pararam nas mãos do FBI.

Em abril de 2020, Jonathan tentou contato com uma potência rival, com informações de como criar um canal de comunicação privado para o acordo de espionagem. Em um envelope pardo, com quatro selos e um endereço de Pittsburgh, Pennsylvania, constava a mensagem:

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“Peço desculpas pela má tradução para sua linguagem. Por favor aderece essa carta à sua agência de inteligência militar. Eu acredito que essa informação será de grande valor para sua nação. Isso não é uma pegadinha.”

A potência, não mencionada no processo, enviou a informação em dezembro do ano passado para a agência de inteligência — porém, dos Estados Unidos. Após avaliação de um perito da Marinha norte-americana, que reconheceu a validade dos dados, Justin Van Tromp, um agente do FBI do escritório de Pittsburgh, foi acionado para manter contato com os Toebbe.

O integrante do FBI se passou por um membro da inteligência estrangeira através de emails criptografados do ProtonMail. Ambos passaram a negociar por meses usando pseudônimos da criptografia, com o engenheiro respondendo por Alice e o agente, Bob.

Dados de submarino vieram em sanduíche e pacote de chiclete

FBI convenceu informante concordando com os pontos de entrega de pacotes (Imagem: Only_NewPhoto / Shutterstock)

A negociação ocorreu de dezembro de 2020 até agosto deste ano, com a primeira entrega ocorrendo em Jefferson County, West Virginia, num ponto escolhido pelo próprio informante. Os dados do submarino nuclear estavam em um cartão SD azul de 16 GB, na metade de um sanduíche de manteiga de amendoim.

A ideia de Toebbe era utilizar um depósito virtual, ao que o suposto agente estrangeiro recusou para “evitar qualquer pegada digital”. Para contornar isso, o engenheiro naval abandonava os pacotes em locais escondidos à plena vista. Nas primeiras trocas, Jonathan fazia a entrega enquanto Diane, sua esposa, vigiava os arredores. Em outro dos emails, ele mesmo detalha como burlou a segurança da marinha dos Estados Unidos:

“Essa informação foi lentamente e cuidadosamente coletada por vários anos no curso normal do meu trabalho para evitar chamar atenção, atravessando as revistas de segurança algumas páginas por vez.”

Além das informações do submarino no sanduíche de pasta de amendoim, outras duas trocas ocorreram antes da prisão. Numa delas, o informante vazou um cartão SD de 32 GB dentro de uma embalagem de band-aid e, na última, em um pacote de chiclete. Todos os dados só eram liberados após o envio de chaves Proton, que eram concedidas por Jonathan.

Para convencer o informante da legitimidade da transação, o FBI acatou as exigências de não se encontrar pessoalmente, e pagou cerca de US$ 100 mil em criptomoedas Monero — que, conforme Justin informou a Toebbe, era mais difícil de se rastrear — além de cooperar e elogiar o processo de tomada de decisão do engenheiro.

A detenção ocorreu pouco após a negociação de 51 caixas das cópias físicas dos documentos, pela qual ele pediu um total de US$ 5 milhões em Monero.

Jonathan e Diana Toebbe foram presos no dia 9 de outubro deste ano, por infração do Ato de Energia Nuclear dos Estados Unidos. Ao longo da troca de emails, o engenheiro chegou a pedir ajuda para extradição de sua família.

Imagem: Africa Studio/Shutterstock

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