A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está negociando com a Merck Sharp and Dohme para produzir a pílula que a farmacêutica desenvolve que pode reduzir significativamente as mortes e hospitalizações por Covid-19.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os termos do acordo ainda estão sendo discutidos pelos laboratórios envolvidos. A Fiocruz ainda precisa estudar com o Ministério da Saúde a demanda para esse medicamento.

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Caso seja concretizado, a expectativa é que a pílula contra a Covid-19 seja fabricada na unidade de Farmanguinhos, no Rio de Janeiro. Em nota, a Fiocruz disse que estuda qual é a melhor forma de dar à população brasileira acesso ao medicamento.

O Ministério da Saúde ainda aguarda o aval da Anvisa sobre o remédio para avaliar se o Molnupiravir vai ser disponibilizado pelo SUS. Os estudos de fase três estão em andamento, inclusive no Brasil.

Pílula contra a Covid-19

Os resultados mostram que o medicamento tomado nos primeiros cinco dias de sintomas da doença é capaz de reduzir as hospitalizações e mortes em 48%. De acordo com os dados da farmacêutica, a pesquisa acompanhou 775 adultos com Covid-19 em seus estágios iniciais e risco de desenvolver sintomas mais graves por conta de pelo menos uma comorbidade. Metade do grupo recebeu o comprimido enquanto a outra metade tomou placebo.

Entre os que receberam o medicamento, 7,3% precisam de hospitalização após o agravamento da doença. Enquanto no grupo que não tomou o remédio, foram 14,1% os hospitalizados. Além disso, não foram registradas mortes no grupo com o medicamento e na parcela de controle foram 8 óbitos.

Os resultados positivos fizeram a farmacêutica interromper os testes de fase 3 para entrar com o pedido de uso emergencial na Food And Drug Administration (FDA), a agência regulatória dos Estados Unidos. A principal vantagem do comprimido da Merck é o fato do tratamento poder ser feito em casa, reduzindo as internações e aliviando o sistema de saúde.

“Tratamentos antivirais que podem ser tomados em casa para manter as pessoas com Covid-19 fora do hospital são extremamente necessários”, disse Wendy Holman, CEO da Ridgeback, empresa do ramo de remédios que também atuou nas pesquisas.

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O Molnupiravir interfere com uma enzima durante sua ação. Essa enzima é usada pelo vírus da Covid-19 para copiar o código genético e se reproduzir. O remédio basicamente atrapalha essa reprodução.

Não há informações sobre efeitos colaterais. A empresa informou apenas que o grupo que tomou placebo teve ligeiramente mais sintomas do que quem recebeu o remédio. Caso seja aprovado, a pílula da Merck deve ser a primeira do mundo usada contra a Covid-19.

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