Cedo ou tarde, sua empresa terá que atuar em rede para oferecer uma proposta de valor única. Melhor que seja cedo

As empresas não são mais constituídas de máquinas nem de tijolos, como havíamos aprendido no passado. Há casos em que nem mesmo as pessoas são consideradas o principal componente das organizações. Ao menos das que estão dando certo.

publicidade

O novo elemento vital para as empresas é o feixe de conexões que as sustentam.

Uma nova configuração organizacional em forma de teias de empresas com competências complementares, em sua grande maioria sem ativos físicos, dominará o mundo dos negócios daqui para a frente. O conceito central é o de entregar ao cliente uma combinação de múltiplas tarefas ou componentes em forma de valor. Esses novos empreendimentos, cuja característica coincide com a de ecossistemas, serão formados por vários parceiros conectados por uma base tecnológica. Uma revolução análoga ao que aconteceu nos anos 1990, quando computadores, antes espalhados pelo mundo e incomunicáveis, tornaram-se a internet.

Acha exagero? Pois olhe para as empresas vencedoras. Analise a Quinto Andar e o Ifood, por exemplo. Os princípios básicos são os mesmos: estrutura em rede, competências complementares, cooperação, base tecnológica e, especialmente, o cliente feliz do outro lado sem ter que enxergar nada disso, mas cuja jornada está na origem ao projeto.

Recentemente conversei com o fundador de uma grande imobiliária, um setor de negócios em profunda transformação. Ele me contou com certa inocência que estava recorrendo a inovações tecnológicas desenvolvidas por empresas concorrentes, que tinham transformado digitalmente etapas da geração de valor fazendo uso de incentivos fiscais. À primeira vista poderia parecer até moderno: alianças em todos os sentidos e direções, mesmo com a concorrência. Mas não era exatamente o que estava ocorrendo com aquela empresa.

O que se passava ali era o seguinte: negócios menores, com ambição de ecossistematizar o setor, estavam se articulando e tornando dependentes deles imobiliárias enormes, como a que eu acabara de conhecer. Logo tive a visão de entidades recém-chegadas e invisíveis se preparando para dominar o setor. O diretor com quem conversei, imerso há mais de trinta anos no negócio, não tinha percebido que tudo em volta acelerou como nunca, o que exigiria uma verdadeira reinvenção da sua empresa. E que ele corre sério risco de, sem notar, acabar se enredando nas malhas dessas novas redes, como uma mosca que se sente livre e capaz de voar, mas acaba presa em uma teia de aranha.

O conceito de ecossistemas de inovação foi usado originalmente na gestão pública para definir organizações diferentes e independentes, conectadas com o objetivo de viabilizar inovações radicais. Para explicá-los usa-se a metáfora das hélices com três ou mais pás, correspondendo à academia, às empresas-âncora, startups, ao governo e assim por diante. Segundo Kapoor (2018), um ecossistema tem origem na interdependência entre atores para criar valor percebido pelo cliente. A atuação coletiva e interdependente é natural quando se trata da formação de um ecossistema específico para a inovação, processo colaborativo e alimentado pela diversidade de conhecimentos de cada integrante. Na maioria das vezes, as inovações de empresas ecossistematizadas revelam-se difíceis de imitar e marcadas por alta criação de valor.

Neste exato momento, nossos times de consultores trabalham em uma metodologia para apoiar as empresas no caminho da ecossistematização. O caminho que escolhemos percorrer pode servir de inspiração a você para começar a mudar. Nossa metodologia envolverá quatro principais etapas: um mapeamento completo dos atores do ecossistema; o inventário do que cada um deles pode oferecer na cadeia de valor; a avaliação da complementariedade necessária para alavancar seus negócios; e a reinvenção da empresa como ecossistema. Vale destacar o papel da plataforma tecnológica que possibilitará tudo isso como pedra fundamental dessas novas e incomuns configurações organizacionais.

Na origem há sempre uma proposta de valor claramente definida, inédita e capaz de assegurar uma experiência apaixonante.

Já assistiu aos novos vídeos no YouTube do Olhar Digital? Inscreva-se no canal!